O que pode ser pior que o desemprego?

por: MS Todo Dia - 29/01/2019 17:22

O que pode ser pior que o desemprego?

Ao longo dessa semana recebi duas notícias que me deixaram com sentimentos opostos: tristeza e alegria. Uma vinda de São Paulo e outra de Rio Preto. Uma, me remete ao passado, aos tempos de estudante. E a outra ao presente, ao profissional. Mas, ao fim, as duas notícias se juntam, como duas pontas da vida: o passado e o presente.

No dia 21/01, logo pela manhã, recebi a nota de falecimento do professor Milton Campanário. Meu professor de microeconomia, num tempo onde eu tinha beeem mais cabelo, usava um moletom sujo e chinelo de dedo. O ano era 2001, e eu cursava Ciências Sociais na USP. Sim, pasmem, eu era comunista. E o professor Milton foi escolhido para dar aula para nós, revolucionários da FFLCH. Ele sempre alegre, criativo e bem-humorado, sabia transmitir seu conhecimento com muita facilidade e sem arrogância, raridade no meio acadêmico.

A aula do professor Milton, de propósito ou não, era dada aos “comunistas” na sexta-feira à noite no último período. Um baita convite a boemia e a falta generalizada. Mas, o fato é que eu era um nerd e nerds não faltam (muito). E numa dessas sextas-feiras o professor Campanário nos apresentou a tal taxa natural de desemprego. “Que coisa é essa?”, você deve estar se perguntando. Pois é, eu também não fazia ideia o era isso e o que eu estava fazendo naquela aula.

Em resumo: a taxa natural de desemprego consiste na ideia de que deva existir uma parte da população desempregada para que aja espaço para o crescimento econômico futuro. Ou seja, se todos estiverem empregados não existe a possibilidade de um país crescer mais. Não há mão de obra disponível e então o crescimento pode desacelerar. Não me lembro o que eu fiz depois daquela aula, mas me lembro que sai revoltado dela. Pensava: “Como a economia pode ser tão fria, TODOS devem ter emprego. Não posso viver num mundo onde pais de família desempregados são vistos como algo normal e desejável!”

Como diria Joseph Climber, “a vida é uma caixinha de surpresa”. E o entendimento daquela aula que me deixou revoltado veio a cavalo mais de 10 anos depois, especificamente no final do governo Lula e início da Era Dilma, com a menor taxa de desemprego da história recente. A princípio é uma excelente notícia. Todos empregados aquecem a economia, correto? Devagar no andor que o santo é barro. O que vimos foi o que o professor Campanário temia: a escassez de mão de obra impactou no ritmo do aumento salarial, sem gerar nenhum ganho de produtividade. Em poucas palavras, o aumento do salário do trabalhador não gerou riqueza para país.

E assim conseguimos retomar a outra ponta da vida, o presente. Nessa quinta-feira, dia 24, li a notícia de que Rio Preto fechou no azul o número de novas contratações em 2018. É fato, não deixamos para o trás o pesadelo do desemprego, mas aos poucos voltamos a empregar. Ainda temos mais de 12 milhões de desempregados. Então, qual o motivo para esboçar um sorriso?

Estamos prestes a entrar em um novo ciclo de forte crescimento econômico. Temos todas as condições para voltar a crescer, juro! Temos Inflação baixa, juros baixos. Capacidade Industrial subutilizada e uma massa trabalhadora cedente por emprego e renda. E conseguimos aumentar a produtividade do trabalhador na indústria. É claro que também precisamos de alguns outros ingredientes nessa sopa, como algumas reformas aqui e ali, e ajustes fiscais severos. Mas ao fim ao cabo, vamos enfim voltar a sonhar.

O bonde da história sorri novamente para nós, como um bom aluno, devemos aprender o que a história nos ensinou: geração de emprego é essencial, mas deve vir obrigatoriamente acompanhada de entrega de mais resultados, produtividade e riqueza. Senão vamos ter que citar novamente o bom e velho Pessoa, “o público não quer a verdade, mas a mentira que mais lhe agrade”.

Fonte: Economista André Yano

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