Uma breve história do Risco Financeiro

por: Redação - 27/03/2019 15:23

Uma breve história do Risco Financeiro

Essa semana fui convidado por um grande amigo para ajudá-lo a mapear os riscos da sua rede de negócios e como o mercado financeiro poderia apresentar alguma luz diante de seu grande desafio: é possível mitigar os riscos inerentes a atividade empresarial?

Durante toda a nossa conversa e muitas horas depois de terminá-la. Um livro não me saiu da cabeça. Existem livros que lemos por obrigação, existem livros que gostamos e existem aqueles que mudam o nosso modo de pensar e agir e, sem dúvida, o Desafio aos Deuses de Peter Bernstein é um desses.

Em uma breve apresentação do clássico, o livro conta a história do risco, dos gregos até hoje, e como a humanidade lutou e ainda luta, incansavelmente, para conseguir controlá-lo. Imagine um mundo sem probabilidade, estatística e matemática. Impensável, não é?

Ok, talvez para alguns seja um alívio viver em um mundo sem as temidas “exatas”, mas sem elas o nosso mundo seria completamente diferente. Sem o controle do risco, sem o auxilio da matemática a América não seria sequer descoberta. Não teríamos automóveis e muito menos um celular. A vida seria embrutecida, curta e tediosa.

Bom, voltando para a conversa com meu amigo, em dado momento falamos sobre como o mercado financeiro trata o tema do risco. Este é um tema central dentro de toda questão financeira, afinal ninguém quer perder dinheiro, mas caso precisemos lidar com essa possibilidade queremos saber o quanto podemos perder.

Você já deve ter ouvido falar do risco de mercado, risco de liquidez e risco de crédito. Não vou tratar desses tipos de riscos hoje, nos próximos artigos irei explicá-los melhor. Quero falar hoje do risco de um determinado ativo (desvio-padrão dos retornos históricos) e como as finanças lidam com esse problema.

Acabei me lembrando daquele livro, pois o autor cita o célebre Harry Markowitz, é bem provável que você nunca tenha ouvido falar desse senhor de 91 anos, mas também é provável que você já tenha escutado a frase: não coloque todos os ovos em uma única cesta. Talvez não tenha sido ele quem cunhou essa pérola da sabedoria popular, nas palavras do autor ficou algo um pouco mais sofisticado, como:

“ Um bom portfólio é mais do que uma longa lista de ações e títulos bons. É um todo equilibrado, proporcionando ao investidor proteções e oportunidades em relação a uma ampla gama de contingências”.

Markowitz foi o gênio das finanças, vencedor do prêmio Nobel de economia de 1990, que nos apresentou a moderna teria de portfólio ou simplesmente teoria de Markowitz. Fugindo do economês clássico e indo direto para o popular é como se antes do velhinho os técnicos de futebol escalassem o seu time para a final da copa do mundo com 11 Neymar ou 11 Messis ou 11 Cristiano Ronaldo. Eles iriam fazer gols? Obviamente que sim, mas também iriam tomar muitos e muitos gols. No mundo financeiro seguimos a mesma lógica, nada adianta colocarmos todos os recursos de uma carteira de investimentos do nosso cliente em um único tipo de ações e esperarmos bater o mercado. Não vai acontecer. Precisamos nos apoiar nos ensinamentos do nosso velhinho de Chicago e distribuirmos os ovos em categorias e tipos de ativos diferentes para conseguirmos compor um time equilibrado com ataque, defesa e meio campo. Ai sim, estaremos mais preparados para tentar vencer o campeonato.

Veja o gráfico que exemplifica a teoria de Markowitz. 

 

Fonte: Economista André Yanno

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