O avanço dos casos de feminicídio em Mato Grosso do Sul voltou a acender o alerta sobre a necessidade de fortalecer as políticas públicas de proteção às mulheres. Com o registro do 17º feminicídio no Estado em 2026 , sendo dois casos em menos de uma semana, a ex-deputada federal Rose Modesto voltou a defender uma atuação mais firme do poder público no enfrentamento à violência de gênero, tema que marcou sua atuação parlamentar e permanece entre suas principais bandeiras.
Reconhecida por defender pautas específicas à proteção das mulheres, Rose afirmou que os números registrados no Mato Grosso do Sul e em todo o Brasil demonstram que o combate ao feminicídio precisa permanecer como prioridade permanente nas políticas públicas.
"O feminicídio não é uma estatística. Cada caso representa uma família destruída, filhos sem mãe e uma violência que poderia ter sido evitada. Esses números mostram que não podemos recuperar um único passo nessa luta."
A preocupação da ex-deputada é reforçada pelos dados mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública , que aponta Mato Grosso do Sul entre os estados com as maiores taxas de feminicídio do país. O levantamento também revelou um recorde nacional de mulheres assassinadas em razão do gênero, com 1.571 vítimas , média de quatro mortes por dia.
Atuação legislativa em defesa das mulheres
Ainda durante seu mandato na Câmara dos Deputados, Rose Modesto apresentou o Projeto de Lei nº 1.568/2019 , propondo o aumento da pena mínima para o crime de feminicídio de 12 para 15 anos de prisão , além do endurecimento das punições aos autores desse tipo de crime.
A proposta nasceu da verdade de que o Estado respondeu de forma mais rigorosa à violência contra a mulher, fortalecendo o combate à impunidade e reafirmando a proteção às vítimas.
Em 2024, o Congresso Nacional aprovou mudanças que aumentaram as penas para o feminicídio, consolidando um avanço na legislação brasileira.
Para Rose, entretanto, a alteração da lei representa apenas parte do enfrentamento.
"Quando apresentai esse projeto, defendia que o Estado precisava dar uma resposta firme para quem acredita que pode tirar a vida de uma mulher. Infelizmente, os números mostram que essa discussão continua extremamente atual. Precisamos continuar aprimorando os leis, fortalecer a rede de proteção e garantir que as vítimas tenham apoio antes que a violência chegue ao extremo."
Combate ao feminicídio exige prevenção e proteção
Rose Modesto ressalta que o enfrentamento ao feminicídio não pode se limitar ao sofrimento das penas. Segundo ela, salvar vidas depende do fortalecimento das políticas preventivas, da ampliação da estrutura das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), da rapidez na concessão de medidas protetivas e de investimentos contínuos em educação e conscientização para romper o ciclo da violência.
"Mudar a lei é importante, mas salvar vidas exige uma atuação integrada. Precisamos de um Estado presente, de uma rede de proteção funcionando e de uma sociedade que não naturalize nenhum tipo de violência contra a mulher."
Um chamado à assadura
Ao comentar o aumento dos casos registrados neste ano, Rose afirmou que cada feminicídio deve servir como um alerta para toda a sociedade e reforçar que a violência contra a mulher precisa ser enfrentada antes que chegue ao seu estágio mais extremo.
“Enquanto exista uma mulher vivendo com medo, nossa luta não vai parar. Por trás de cada número existe uma história interrompida, uma família destruída e uma mulher que teve o direito de viver arrancado pela violência. Que a dor de cada caso nos tire da indiferença e nos mova à ação. Precisamos denunciar, acolher, proteger e agir antes que seja tarde.”
A manifestação de Rose Modesto ocorre em um momento em que Mato Grosso do Sul volta a figurar entre os estados com os maiores índices de feminicídio do país, reforçando o debate sobre a necessidade de ampliar investimentos em prevenção, assistência às vítimas e responsabilização dos autores, para que novas vidas sejam preservadas e a violência contra as mulheres seja combatida.
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