A reforma tributária deve mudar uma das principais ferramentas utilizadas por Mato Grosso do Sul para atrair investimentos: os incentivos fiscais. A partir de 2029, esses mecanismos começam a perder espaço de forma progressiva até a extinção prevista para 2032, criando para o Estado o desafio de manter a competitividade sem depender da redução de impostos.
É nesse cenário que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, coloca uma das principais estratégias econômicas para o período de 2027 a 2030. O plano de governo prevê a adaptação dos programas estaduais ao novo sistema tributário e a criação de outras condições para tornar Mato Grosso do Sul atrativo para empresas.
A proposta parte de uma mudança no conceito de competitividade. Em vez de depender principalmente dos incentivos, o Estado deverá, segundo o plano, ampliar investimentos em infraestrutura, logística, qualificação profissional, tecnologia, inovação e simplificação dos processos para empresas.
Incentivos ajudaram a atrair investimentos
A política de incentivos fiscais é apontada pelo governo como um dos fatores que contribuíram para a transformação econômica recente de Mato Grosso do Sul. Desde 2023, o Estado teria atraído mais de R$ 81 bilhões em investimentos privados, especialmente em setores como celulose, bioetanol, proteína animal e logística.
O ICMS modal do Estado é de 17%, enquanto alguns produtos e setores possuem cargas tributárias diferenciadas. A carne bovina, por exemplo, é citada com carga de 4%, enquanto itens da cesta básica têm alíquota de 7%.
A redução de impostos, porém, não determina sozinha o preço final dos produtos. Custos de produção, transporte, energia, câmbio, estoque, margem de comercialização e condições de mercado também influenciam os valores pagos pelo consumidor.
Além da política tributária, o governo estadual destaca investimentos em infraestrutura e qualificação profissional como parte do ambiente de negócios. Segundo o plano, mais de 500 mil qualificações foram realizadas nos últimos três anos, alinhadas às cadeias produtivas consideradas estratégicas.
O que muda com a reforma
A partir de 2029, os incentivos fiscais começam a ser reduzidos progressivamente dentro do processo de transição da reforma tributária. Para Riedel, o período entre 2027 e 2030 será determinante para preparar o Estado para essa nova realidade.
O plano prevê uma estratégia estadual de adaptação à reforma e a reestruturação dos programas de incentivo das cadeias agropecuárias, buscando transformar os mecanismos atuais em instrumentos compatíveis com o novo sistema nacional.
Também estão previstas medidas como ampliação das Parcerias Público-Privadas, simplificação regulatória, digitalização dos serviços, redução do tempo necessário para abertura e regularização de empresas e maior segurança jurídica.
A intenção é fazer com que fatores como infraestrutura, logística e disponibilidade de mão de obra qualificada tenham peso maior nas decisões de investimento.
Pequenas empresas também entram na estratégia
A proposta não se limita à atração de grandes indústrias. O plano de governo prevê o fortalecimento de micro, pequenas e médias empresas, além do estímulo à transformação digital e ao aumento da produtividade dos negócios instalados no Estado.
A estratégia também inclui ampliar a inteligência de mercado para identificar novos projetos, exportações e mercados consumidores.
“Vamos acompanhar os impactos econômicos, sociais e territoriais dos investimentos e ampliar a inteligência de mercado para prospectar novos projetos, exportações e mercados”, afirma Riedel.
Nesse modelo, a geração de empregos e o aumento da renda aparecem como resultados esperados da política de desenvolvimento econômico.
Tecnologia e sustentabilidade
Outro eixo apresentado no plano é a ampliação dos investimentos em inovação e tecnologia. A proposta é aumentar a produtividade das empresas e agregar valor às cadeias produtivas de Mato Grosso do Sul.
O governo também pretende estimular atividades relacionadas à bioeconomia, economia circular, tecnologias de baixo carbono e serviços ambientais.
A estratégia inclui setores tradicionais, como agropecuária e indústria, mas também busca ampliar oportunidades em turismo, serviços, transformação digital e novas cadeias ligadas à economia verde.
Desafio será manter a competitividade
A transição tributária coloca o próximo mandato diante de um período decisivo para a economia estadual. Entre 2027 e 2030, o Estado deverá começar a conviver com a redução gradual dos incentivos que ajudaram a atrair investimentos nas últimas décadas.
A proposta apresentada por Riedel é utilizar esse intervalo para preparar novas ferramentas de competitividade, com foco em produtividade, infraestrutura, qualificação, inovação e melhoria do ambiente regulatório.
O plano também prevê acompanhamento dos impactos econômicos e fiscais da reforma sobre os setores produtivos e maior controle sobre gastos e investimentos públicos.
Na prática, a mudança representa uma tentativa de substituir parte da vantagem tributária por um conjunto mais amplo de fatores capazes de influenciar a decisão de empresas sobre onde investir.
O desafio para Mato Grosso do Sul será atravessar a transição mantendo a capacidade de atrair novos negócios, estimular as empresas já instaladas e transformar investimentos em empregos, renda e desenvolvimento regional.
Fonte: Jornal MS Todo Dia, com assessoria
Foto: Saul Schramm
Você também pode gostar de ler
Na reta final da campanha, Junior Mocchi reúne lideranças políticas e destaca atuação em Costa Rica e na região norte MS
Ato com ex-prefeitos, vereadores e empresários destacou a importância de eleger um representante da região norte para garantir investimentos no município
Publicado em 02/10/2026 às 19:44 - Atualizado em 02/10/2026 às 20:16 - Por Renan Carrijo
Rose Modesto elenca combate aos vícios e proteção à família como prioridades na Câmara Federal
Candidata a deputada federal pelo União Brasil direciona plataforma política ao enfrentamento das drogas, apostas virtuais e à defesa de mulheres, crianças e idosos
Publicado em 02/10/2026 às 16:54 - Por Grazi Almeida
Votação em MS ocorre das 7h às 16h no primeiro turno das Eleições 2026
Abertura e fechamento das urnas acompanham o horário unificado do Tribunal Superior Eleitoral; eleitores terão de escolher seis nomes na urna
Publicado em 02/10/2026 às 14:16 - Atualizado em 02/10/2026 às 14:17 - Por Grazi Almeida
Junior Mochi realiza reunião política nesta quarta-feira em Costa Rica
Encontro está marcado para as 18h30, na Avenida José Ferreira da Costa, onde funcionava a antiga Honda
Publicado em 30/09/2026 às 09:14 - Atualizado em 30/09/2026 às 09:18 - Por Gabi Ferreira
Chapadão do Sul e Paraíso das Águas somam mais de 27 mil eleitores aptos para as Eleições 2026
Chapadão do Sul concentra 22.995 votantes, enquanto Paraíso das Águas tem 4.334 eleitores
Publicado em 29/09/2026 às 19:09 - Atualizado em 29/09/2026 às 19:36 - Por Grazi Almeida
Eleições 2026: Comparecimento à votação pode ser utilizado como prova de vida do INSS
Serviço de consulta do TSE permite ao Instituto verificar o comparecimento às urnas
Publicado em 29/09/2026 às 09:02 - Atualizado em 29/09/2026 às 09:04 - Por Gabi Ferreira