São Gabriel do Oeste enfrenta déficit de 562 mil toneladas na armazenagem de grãos

Município produz mais de 1,1 milhão de toneladas de soja e milho, mas estrutura disponível não acompanha demanda potencial

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São Gabriel do Oeste está entre os municípios de Mato Grosso do Sul com maior déficit na capacidade de armazenagem de grãos, segundo levantamento da Aprosoja/MS. A diferença entre a estrutura instalada e a demanda potencial chega a 562.831 toneladas, diante de uma produção estimada em mais de 1,1 milhão de toneladas.

Os dados integram o Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc, e apontam para a necessidade de ampliar a infraestrutura de armazenagem para acompanhar o avanço da produção agrícola no município.

Produção supera capacidade disponível

Considerando a média dos últimos cinco anos, São Gabriel do Oeste tem produção estimada em 533.907 toneladas de soja e 594.547 toneladas de milho, totalizando 1.128.453 toneladas.

Com o acréscimo de 20% indicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a demanda potencial de armazenagem chega a 1.354.144 toneladas. Já a capacidade instalada no município é de 791.313 toneladas, resultando no déficit de 562.831 toneladas.

O diretor da Aprosoja/MS, Sérgio Marcon, que também é produtor rural em São Gabriel do Oeste, destacou que a estrutura vem sendo ampliada, mas ainda não acompanha completamente o potencial produtivo da região.

“São Gabriel do Oeste é uma região que se destaca pela força da produção e pelos bons índices de produtividade. A capacidade de armazenagem também vem sendo ampliada, acompanhando esse crescimento. Ainda assim, os dados mostram que existe um déficit importante e que precisamos continuar avançando na infraestrutura”, afirmou.

Município está entre os maiores déficits do Estado

Em Mato Grosso do Sul, a capacidade de armazenagem chegou a 16,39 milhões de toneladas em 2025, crescimento de aproximadamente 10,9% em relação ao ano anterior.

Mesmo com a expansão, o aumento da infraestrutura ainda não acompanha plenamente o crescimento da produção em algumas regiões, mantendo gargalos logísticos e pressionando os custos de comercialização.

Conforme o levantamento da Aprosoja/MS, Maracaju apresenta o maior déficit absoluto, com 1,35 milhão de toneladas. Na sequência aparecem Ponta Porã, com 1,23 milhão; Rio Brilhante, com 665 mil; e São Gabriel do Oeste, com 562 mil toneladas.

Falta de armazenagem impacta logística

Para o gerente Institucional da Aprosoja/MS, Tauan Almeida, identificar os pontos de maior deficiência é importante para orientar investimentos e políticas públicas voltadas à infraestrutura.

“O crescimento da produção precisa estar acompanhado de infraestrutura. A armazenagem é um dos pontos fundamentais para dar mais eficiência à cadeia produtiva, reduzir gargalos logísticos e ampliar as possibilidades de comercialização para o produtor”, explicou.

O coordenador técnico da entidade, Gabriel Balta, também destacou os impactos da falta de espaço próximo às áreas produtoras, especialmente durante o período de colheita.

Segundo ele, quando a capacidade de armazenagem não acompanha o volume produzido, aumenta a pressão sobre o sistema logístico, já que grandes quantidades de grãos precisam ser movimentadas simultaneamente.

Dados podem ser consultados por município

A Aprosoja/MS disponibiliza um painel com informações sobre a capacidade de armazenagem em Mato Grosso do Sul. A ferramenta permite consultar os dados por município e comparar a estrutura disponível com a produção estimada.

O levantamento também mostra que a situação varia entre as cidades do Estado. Enquanto alguns municípios possuem capacidade superior à necessidade estimada, outros importantes polos produtores enfrentam déficits expressivos.

Para a Aprosoja/MS, o acompanhamento desses indicadores contribui para identificar gargalos e auxiliar no planejamento da infraestrutura necessária para o crescimento do agronegócio sul-mato-grossense.

O levantamento ganha atenção em São Gabriel do Oeste após o recente desabamento de uma estrutura de armazenagem. As causas do acidente ainda deverão ser apuradas por meio de perícia técnica. 

Fonte: MS Todo Dia com informações Idest. 

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