Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com a menor taxa de gravidez na adolescência dos últimos dez anos, resultado associado à ampliação das ações de prevenção, educação em saúde e acesso a métodos contraceptivos durante a gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas).
A participação de mães adolescentes no total de nascimentos no Estado caiu de 14,92% em 2022 para 12,65% em 2025. A redução também aparece nos números absolutos: entre adolescentes de 15 a 19 anos, os nascidos vivos passaram de 8.315 em 2015 para 2.861 em 2025.
Entre meninas menores de 15 anos, a queda foi de 514 nascimentos em 2015 para 171 em 2025.
Apesar do avanço, o número de gestações entre meninas tão jovens mantém um alerta para a rede de proteção. Nessa faixa etária, além da prevenção da gravidez, profissionais de saúde precisam estar atentos à possibilidade de violência sexual.
Segundo a ginecologista Vanessa Chaves Miranda, coordenadora da Linha Materno Infantil do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, uma gravidez precoce pode provocar impactos que vão além da saúde da adolescente.
“Nessa fase da vida, a gestação está relacionada ao aumento da violência doméstica, ao abandono escolar e à diminuição das oportunidades de acesso ao mercado de trabalho, em razão das mudanças que uma gravidez precoce impõe”, explica a médica.
Estado amplia acesso a contraceptivos
Uma das estratégias adotadas pelo Governo de Mato Grosso do Sul é ampliar o acesso aos chamados contraceptivos reversíveis de longa duração (LARCs), como o DIU e o implante contraceptivo.
Esses métodos permanecem ativos por anos, mas podem ser retirados quando a mulher decidir engravidar. Segundo a especialista, a vantagem é que eles não dependem de uma rotina diária, como ocorre com a pílula anticoncepcional.
“O método mais eficaz é garantir acesso à informação e aos contraceptivos, especialmente aos métodos de longa duração”, afirma Vanessa.
Em 2025, o Estado realizou oficinas de capacitação em Nova Andradina, Campo Grande e Costa Rica, preparando profissionais da Atenção Primária para ampliar a oferta desses métodos à população.
Para Riedel, a prevenção precisa estar próxima das adolescentes e não depender da condição financeira ou da possibilidade de deslocamento para grandes centros.
“A possibilidade de prevenção não pode depender da renda da família nem da capacidade de viajar até um centro maior”, destaca o governador.
Educação também entra na prevenção
Além da rede de saúde, o Governo do Estado passou a reforçar ações dentro das escolas públicas por meio do projeto Educar para Transformar.
A iniciativa aborda temas como saúde sexual e reprodutiva, métodos contraceptivos, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, gravidez não planejada, direitos e violência.
A proposta é levar informação aos adolescentes antes que uma gravidez não planejada aconteça, combatendo também a desinformação que muitas vezes circula entre jovens.
Ao longo de 2025, foram realizadas nove oficinas territoriais, além de uma formação estadual sobre prevenção do HPV e gravidez na adolescência, com participação de representantes dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul.
Segundo o Governo, 160 profissionais foram capacitados inicialmente para alcançar cerca de 1,2 mil adolescentes e jovens em regiões consideradas vulneráveis de Campo Grande.
Gravidez precoce também representa risco à saúde
A prevenção da gravidez na adolescência também está relacionada à redução de complicações durante a gestação.
Vanessa Chaves Miranda explica que uma gravidez não planejada pode estar associada ao aumento de problemas como hipertensão, diabetes e parto prematuro, além de elevar os riscos de mortalidade materna e neonatal.
A médica também destaca que o planejamento reprodutivo não deve ser tratado apenas como uma forma de evitar a gravidez, mas como uma ferramenta para garantir que a mulher tenha condições de decidir quando deseja ter filhos.
Na adolescência, essa possibilidade pode significar a continuidade dos estudos e a construção de uma trajetória profissional antes da maternidade.
Casos entre menores de 15 anos exigem atenção
Embora a redução dos indicadores seja considerada positiva, os 171 nascimentos registrados em 2025 entre meninas menores de 15 anos exigem uma atenção diferenciada.
Nessa faixa etária, uma gestação pode estar relacionada a situações de violência e, por isso, o atendimento precisa envolver toda a rede de proteção.
A ginecologista destaca que os profissionais de saúde devem observar sinais que possam indicar violência contra crianças e adolescentes. Quando houver suspeita, a assistência social e os demais órgãos responsáveis precisam ser acionados para investigar a situação e garantir proteção.
O atendimento pode envolver profissionais da saúde, assistência social, educação, Conselho Tutelar, Ministério Público e demais órgãos da rede de proteção.
Desafio é manter a queda em todo o Estado
Apesar dos resultados alcançados, a redução da gravidez na adolescência ainda precisa avançar de forma uniforme entre os diferentes municípios e regiões de Mato Grosso do Sul.
O acesso à informação e aos métodos contraceptivos pode ser mais difícil em comunidades rurais, áreas indígenas, assentamentos, regiões de fronteira e locais mais distantes dos grandes centros.
Por isso, a estratégia estadual prevê a continuidade da capacitação de profissionais e a ampliação da oferta de contraceptivos de longa duração, além da integração entre saúde, educação e assistência social.
Para o Governo de Riedel, o desafio agora é transformar a redução do indicador em resultados permanentes na vida das adolescentes, garantindo que mais meninas consigam permanecer na escola, planejar a entrada no mercado de trabalho e decidir, no futuro, o momento de formar uma família.
Os números de 2025 mostram uma evolução importante para Mato Grosso do Sul. Ao mesmo tempo, os 171 nascimentos entre menores de 15 anos reforçam que a prevenção precisa caminhar junto com informação, acesso à saúde e, principalmente, proteção para meninas que possam estar vivendo situações de violência.
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