Riedel propõe ampliar cultura, esporte e oportunidades para jovens em Mato Grosso do Sul

Plano de Governo 2027–2030 prevê interiorização de ações culturais e esportivas, fortalecimento da economia criativa e novas oportunidades para juventude

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Enquanto Bonito recebe, até domingo (30), mais uma edição do Festival de Inverno, Mato Grosso do Sul coloca em evidência uma discussão que vai além dos grandes espetáculos: o papel da cultura e do esporte na geração de oportunidades e no desenvolvimento dos municípios.

Durante cinco dias, a programação gratuita reúne música, dança, teatro, cinema, artes visuais, artesanato, atrações nacionais e artistas do Estado. A movimentação também envolve uma cadeia formada por produtores, técnicos, empreendedores, comerciantes e trabalhadores ligados à economia criativa.

Essa perspectiva aparece no Plano de Governo 2027–2030 do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição. A proposta reúne cultura, esporte e juventude dentro de uma estratégia voltada à inclusão, à qualidade de vida e ao desenvolvimento regional.

A ideia apresentada é ampliar o acesso às políticas públicas e fazer com que as oportunidades não fiquem restritas aos grandes eventos ou aos principais centros urbanos. Cultura e esporte são tratados como ferramentas que também podem contribuir para educação, cidadania, prevenção da violência, geração de renda e fortalecimento das comunidades.

Cultura como identidade e oportunidade

O plano defende o fortalecimento da cultura como instrumento de desenvolvimento. Entre as medidas previstas está a restauração e modernização do Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, o Marco, além da ampliação de ações voltadas à preservação do patrimônio histórico, cultural e imaterial.

Outro eixo é a interiorização das políticas culturais. A intenção é levar equipamentos, recursos e oportunidades para diferentes regiões, permitindo que comunidades preservem suas tradições e também tenham acesso aos circuitos contemporâneos de produção artística.

A economia criativa também ganha espaço nessa estratégia. O plano prevê estímulo a novos mercados consumidores de cultura e conhecimento, com aproximação entre turismo, artesanato, cooperativismo e empreendimentos culturais comunitários.

Para Riedel, a cultura pode cumprir simultaneamente funções de identidade, integração social e geração de trabalho e renda.

As culturas indígenas e as comunidades tradicionais também aparecem entre as prioridades, com previsão de programas específicos de valorização e integração com outras políticas públicas.

Do esporte escolar ao alto rendimento

No esporte, a proposta segue uma lógica semelhante: ampliar o acesso à prática esportiva sem deixar de apoiar atletas que buscam o alto rendimento.

O governo cita investimentos em infraestrutura, programas educacionais e ações voltadas à juventude, além do fortalecimento de mecanismos como o Bolsa Atleta e o Bolsa Técnico. Também foram criadas categorias voltadas ao esporte universitário, master, técnico e aos ciclos olímpico, paralímpico e surdolímpico.

Segundo o Plano de Governo, atletas sul-mato-grossenses conquistaram três medalhas de ouro e uma de bronze nos Jogos Paralímpicos. O resultado é apresentado como parte de uma política destinada a criar condições para que talentos possam permanecer no Estado e desenvolver suas carreiras.

Para o próximo ciclo, a proposta é integrar esporte educacional, comunitário, universitário, de participação e de alto rendimento, criando uma trajetória que possa começar ainda na escola ou na comunidade e avançar até a universidade e, quando houver condições, à competição de alto nível.

Também está prevista a manutenção das bolsas existentes e a ampliação de iniciativas como as bolsas pré-paralímpica e pré-surdolímpica, além de uma política permanente de identificação, formação e acompanhamento de talentos.

Ações nos bairros e municípios

A proposta não se limita ao esporte competitivo. O plano prevê a implantação e o fortalecimento de núcleos esportivos comunitários, principalmente em áreas de maior vulnerabilidade social.

A estratégia é utilizar quadras, treinamentos e atividades regulares também como espaços de convivência, cidadania e fortalecimento dos vínculos comunitários. O documento ainda prevê ampliar a participação de pessoas com deficiência, idosos, povos indígenas e outros grupos vulneráveis.

Outro compromisso apresentado é viabilizar o pleno funcionamento do Estádio Universitário Pedro Pedrossian, o Morenão, por meio de gestão própria ou parceria. O equipamento seria reinserido em uma política mais ampla de estrutura esportiva estadual.

O plano também prevê ampliar eventos esportivos como instrumentos de desenvolvimento regional, turismo e movimentação da economia do esporte, além de capacitar gestores, profissionais e organizações do setor.

Juventude no centro da estratégia

A juventude aparece como um dos pontos de ligação entre as propostas de cultura e esporte. A intenção é criar caminhos contínuos para que crianças e jovens possam transformar experiências iniciais em formação, cidadania e, eventualmente, oportunidades profissionais.

Uma criança que começa uma atividade esportiva em um núcleo comunitário, por exemplo, pode seguir praticando na universidade e chegar ao alto rendimento. Da mesma forma, um jovem que tenha contato com uma atividade cultural pode desenvolver uma habilidade capaz de se transformar em trabalho e renda.

O desafio colocado pelo Plano de Governo é justamente transformar essas possibilidades em políticas permanentes, presentes nos municípios e comunidades durante todo o ano.

A proposta para 2027–2030 estabelece como prioridades a interiorização, a ampliação do acesso e uma integração maior entre diferentes políticas públicas. O objetivo é fazer com que cultura, esporte e juventude não dependam apenas dos grandes eventos, mas estejam presentes de forma contínua nos territórios.

Em vez de concentrar oportunidades em grandes palcos ou centros urbanos, a estratégia apresentada busca levar essas ações para mais comunidades, fortalecendo identidades locais, estimulando a economia criativa, apoiando talentos e ampliando espaços de convivência.

Assim, o plano de Riedel coloca cultura e esporte como instrumentos que podem contribuir não apenas para lazer e entretenimento, mas também para pertencimento, formação, inclusão e desenvolvimento econômico em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.

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