Riedel aposta na industrialização para transformar produção de milho em emprego e renda em MS

Estratégia do Governo busca atrair grandes investimentos, ampliar a industrialização e fazer com que a riqueza gerada pelo campo permaneça mais tempo dentro do Estado

Imagem de compartilhamento para o artigo Riedel aposta na industrialização para transformar produção de milho em emprego e renda em MS da MS Todo dia

Compartilhe:

Ícone Compartilhar no Whatsapp Ícone Compartilhar no Twitter Ícone Compartilhar por e-mail

avanço das usinas de etanol de milho em Mato Grosso do Sul representa, para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, uma mudança na forma como o Estado aproveita sua produção agropecuária. A estratégia defendida pelo Governo é estimular a transformação da matéria-prima dentro de Mato Grosso do Sul, agregando valor ao milho antes que ele deixe o território estadual.

Um dos exemplos mais expressivos está em Nova Alvorada do Sul, onde a Atvos iniciou a implantação de uma unidade de etanol de milho integrada à estrutura já existente de produção de etanol de cana-de-açúcar. O investimento supera R$ 1 bilhão, com capacidade prevista para processar 642 mil toneladas de milho por ano.

Para Riedel, a chegada de investimentos desse porte está diretamente relacionada à criação de condições para que o crescimento econômico se converta em oportunidades para a população. A estratégia estadual reúne atração de empresas, segurança jurídica, infraestrutura, licenciamento ambiental e qualificação profissional.

Na entrega da licença de instalação da unidade da Atvos, o governador destacou a combinação entre energia limpa, segurança alimentar, emprego, renda e desenvolvimento, ressaltando que os resultados precisam estar associados à educação e à preparação dos trabalhadores.

A preocupação com a mão de obra aparece como um dos principais pontos dessa estratégia. A construção da fábrica deverá mobilizar aproximadamente 2 mil trabalhadores, enquanto a operação deverá gerar pelo menos 100 empregos diretos permanentes, além de postos indiretos em áreas como transporte, manutenção, logística, armazenagem e fornecimento de grãos.

Em Nova Alvorada do Sul, mais de 300 alunos já são atendidos pelo Senai em cursos relacionados a elétrica, mecânica, eletrônica, automação e logística. O objetivo é preparar moradores da região para ocupar parte das novas oportunidades criadas pela expansão industrial.

“A formação profissional precisa avançar antes da operação. Sem preparação, a indústria poderá gerar empregos no município, mas contratar parte relevante da mão de obra qualificada fora da região”, afirma Riedel.

Do campo para a indústria

A lógica defendida pelo Governo é transformar Mato Grosso do Sul de um grande produtor de commodities em um território cada vez mais capaz de processar sua própria produção.

O Estado cultivou cerca de 2,2 milhões de hectares de milho na segunda safra 2025/2026, com produção estimada em 11,139 milhões de toneladas em julho de 2026. A nova unidade da Atvos poderá consumir aproximadamente 5,8% desse volume.

Para produtores, a expansão das usinas também significa mais opções de comercialização. José Luiz Casarin, que trabalha há décadas no campo, relata que durante muito tempo grande parte do milho produzido no Estado precisava ser transportada para outras regiões, aumentando os custos para quem produzia.

Com a instalação de indústrias próximas às lavouras, a expectativa é ampliar a demanda regional e reduzir a dependência de compradores distantes.

Uma estratégia que vai além do etanol

O projeto também amplia a cadeia de produtos derivados do milho. Quando estiver em plena capacidade, a unidade deverá produzir 273 milhões de litros de etanol por ano, 183 mil toneladas de DDG e 13 mil toneladas de óleo de milho.

A integração com a produção de cana também permite compartilhar infraestrutura e utilizar biomassa para o processamento do milho. O complexo deverá ainda contar com uma unidade de biometano, com investimento superior a R$ 350 milhões.

É nesse modelo de diversificação que o Governo Riedel pretende ampliar os efeitos dos investimentos privados sobre a economia dos municípios, conectando agricultura, indústria, energia, transporte, serviços e produção de proteína.

Estado cria condições, empresas fazem o investimento

Apesar da participação do Governo na criação de um ambiente favorável, os investimentos nas usinas são privados. A atuação estadual envolve incentivos, segurança jurídica, licenciamento ambiental, infraestrutura e políticas de qualificação profissional.

A proposta é que o papel do Estado seja criar as condições para que grandes empreendimentos sejam instalados e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade dos municípios de absorver os benefícios econômicos gerados.

Essa estratégia também alcança Costa Rica, onde a Atvos planeja uma futura unidade de etanol de milho com investimento superior a R$ 1 bilhão e consumo previsto de aproximadamente 400 mil toneladas de milho por ano. O projeto, porém, ainda está em estágio anterior ao empreendimento de Nova Alvorada do Sul e depende do avanço de etapas como licenciamento, cronograma e definição do projeto.

Para o Governo de Mato Grosso do Sul, a expansão da bioenergia representa uma oportunidade de transformar o crescimento da produção rural em uma cadeia econômica mais ampla, com novos mercados, empregos qualificados e maior agregação de valor.

O desafio, apontado pelo próprio Riedel, será garantir que a mão de obra local esteja preparada e que os investimentos consigam produzir efeitos duradouros sobre as famílias e empresas dos municípios onde os grandes projetos são instalados.

Você também pode gostar de ler

00:00 / 00:00