Qualificação e empreendedorismo ampliam espaço das mulheres no mercado de trabalho em MS

Estado registra avanço da participação feminina, mas desigualdade salarial e dupla jornada ainda são desafios

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Aos 26 anos, Cleysla Marques Galindo decidiu deixar o emprego formal e investir em um projeto próprio. Moradora do bairro Tijuca, em Campo Grande, ela passou a trabalhar como designer de unhas e também com a venda de cestas presenteáveis.

A mudança ganhou força depois que Cleysla participou de um curso gratuito de Ferramentas de Marketing Digital oferecido pela Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), em parceria com o Senac. Com o aprendizado, passou a utilizar estratégias de divulgação, produção de vídeos e tráfego pago para conquistar clientes pelas redes sociais.

“Esse curso foi essencial para que eu conseguisse trabalhar para mim mesma”, contou.

A trajetória acompanha um movimento de crescimento da participação feminina no mercado de trabalho de Mato Grosso do Sul. Entre 2015 e 2025, a força de trabalho formada por mulheres aumentou 20,5% no Estado, enquanto entre os homens o crescimento foi de 10,3%. A participação feminina chegou a 57,2%.

Apesar do avanço, as diferenças permanecem. As mulheres ainda enfrentam desigualdade salarial, menor presença em cargos de liderança e maior responsabilidade com as tarefas domésticas. Elas dedicam, em média, 21,4 horas semanais aos cuidados da casa, quase o dobro das 11 horas registradas entre os homens.

Cursos buscam aproximar mulheres das vagas

Nos últimos anos, Mato Grosso do Sul ampliou programas de qualificação profissional e empreendedorismo voltados ao público feminino.

Entre as iniciativas estão o Programa Mulheres Mil, o MS Qualifica Digital, cursos realizados em parceria com o Sebrae e ações de encaminhamento de trabalhadoras para vagas pela Funtrab.

Em 2025, Mato Grosso do Sul encerrou o ano com saldo positivo de 19.756 empregos formais. Apesar disso, as mulheres continuam concentradas principalmente no setor de serviços, responsável por 65% da ocupação feminina, seguido pelo comércio e pela indústria.

Uma das propostas da atual gestão estadual é aproximar ainda mais os cursos das necessidades reais das empresas.

Segundo a economista Daniela Teixeira, não basta oferecer formação sem considerar a demanda existente no mercado.

“A qualificação precisa estar ligada às vagas reais e conectada ao contexto e às expectativas do empregador”, afirmou.

Empreendedorismo cresce entre mulheres

O empreendedorismo também se tornou uma alternativa para quem busca mais flexibilidade e autonomia financeira.

Em Mato Grosso do Sul, 171.825 empresas são comandadas por mulheres, número equivalente a 44,9% dos negócios do Estado.

Entre março de 2025 e fevereiro deste ano, uma parceria entre a Secretaria de Estado da Cidadania e o Sebrae promoveu ações de empreendedorismo e inclusão produtiva em 19 municípios, incluindo mulheres indígenas, quilombolas e mães de pessoas com deficiência.

O acesso ao crédito também passou por mudanças. Em março de 2026, foram ampliadas as condições do FCO Mulheres Empreendedoras, permitindo o acesso de empresas administradas ou dirigidas por mulheres, além daquelas em que elas possuem a maioria do capital.

Para Cleysla, a capacitação ajudou a transformar um desejo antigo em fonte de renda.

“Saí da loja, comecei a empreender e não parei mais. Hoje consigo trabalhar 100% para mim mesma.”

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