Azambuja deixa legado no saneamento de Mato Grosso do Sul com investimentos de R$ 3,8 bilhões

Parceria firmada em 2021 prevê R$ 3,8 bilhões em investimentos e já elevou cobertura de esgoto de 56,74% para 77,04% nos municípios atendidos pela Sanesul

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Um investimento que quase não aparece aos olhos da população, por estar literalmente debaixo da terra, vem provocando mudanças significativas na saúde, na economia e na preservação ambiental de Mato Grosso do Sul. A expansão do saneamento básico, impulsionada por uma Parceria Público-Privada (PPP) firmada em 2021, prevê a universalização do serviço até 2031 nos 68 municípios atendidos pela Sanesul.

Desde a assinatura da parceria, a cobertura de esgotamento sanitário nessas cidades avançou mais de 20 pontos percentuais. O índice passou de 56,74% em 2021 para 77,04% em maio de 2026, demonstrando o ritmo de expansão da infraestrutura.

Os impactos econômicos e sociais desse avanço foram apontados em estudo divulgado em junho pelo Instituto Trata Brasil. Segundo o levantamento, entre 2005 e 2024, a expansão do saneamento proporcionou quase R$ 20 bilhões em benefícios líquidos para Mato Grosso do Sul, já descontados os custos de investimentos e despesas. A projeção é de que esse resultado ultrapasse R$ 25 bilhões até 2040.

Para a presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, a universalização deverá produzir efeitos duradouros em diferentes áreas.

“A evolução do saneamento no Mato Grosso do Sul gerou quase R$ 20 bilhões em ganhos nas últimas décadas e alcançar a universalização até 2031 significa mais R$ 16 bilhões em ganhos na saúde, na qualidade de vida da população e no desenvolvimento socioeconômico do estado”, afirmou.

Segundo ela, cada real aplicado no setor representa um retorno social significativo. “Isso representa um retorno de R$ 5,90 em ganhos sociais para cada real investido”, destacou.

Além dos reflexos sobre a população, a expansão da rede de esgoto também contribui para a proteção ambiental, especialmente em um estado que abriga parte importante do Pantanal. A avaliação do Instituto Trata Brasil é de que a universalização ajudará na conservação dos recursos naturais e na preservação do bioma.

PPP prevê R$ 3,8 bilhões em investimentos

A parceria firmada em 2021 prevê investimentos de R$ 3,8 bilhões para ampliar e universalizar a cobertura de saneamento nos municípios atendidos pela Sanesul. A estratégia foi adotada como forma de acelerar obras que, segundo o governo estadual, teriam maior dificuldade de execução apenas com recursos públicos.

O então governador Reinaldo Azambuja, atualmente candidato ao Senado pelo PL, destacou que a parceria permitiu ampliar os investimentos também para municípios de menor porte.

“Com a PPP conseguimos abreviar o tempo e avançar em investimentos que seriam quase impossíveis de serem feitos com recursos próprios do estado. O mais importante desse projeto é que nós levamos coleta e tratamento de esgoto não só às grandes regiões metropolitanas, mas aos pequenos municípios”, afirmou.

Para Reinaldo, a ampliação do serviço representa uma mudança direta na qualidade de vida da população, especialmente pelos impactos na saúde pública.

Os dados do Censo Demográfico também mostram o avanço da infraestrutura ao longo das últimas décadas. Entre 2000 e 2022, cerca de 870 mil pessoas passaram a contar com abastecimento de água tratada em Mato Grosso do Sul. No mesmo período, mais de 1 milhão de moradores passaram a ter acesso à coleta de esgoto em suas residências.

Saneamento também movimenta a economia

O impacto da universalização vai além da infraestrutura. De acordo com o Instituto Trata Brasil, a ampliação dos serviços de água e esgoto pode reduzir despesas públicas com saúde, elevar a produtividade dos trabalhadores, estimular a valorização imobiliária e fortalecer atividades como o turismo.

As obras também movimentam a economia por meio da geração de empregos e renda, com efeitos diretos, indiretos e induzidos nos municípios beneficiados.

A expectativa é que esses resultados se tornem ainda mais expressivos à medida que Mato Grosso do Sul avance em direção à universalização prevista para 2031.

Saúde deve ter economia de R$ 256 milhões

Entre 2025 e 2040, a melhoria das condições de saneamento deverá gerar também uma redução expressiva nos custos relacionados à saúde da população.

Segundo estimativa do Instituto Trata Brasil, Mato Grosso do Sul poderá economizar R$ 256 milhões no período, o equivalente a aproximadamente R$ 16 milhões por ano. O cálculo considera a redução de custos provocados por afastamentos do trabalho relacionados a episódios de diarreia e vômito, doenças respiratórias e despesas com internações no Sistema Único de Saúde (SUS).

A expectativa é que a expansão da coleta e do tratamento de esgoto contribua para diminuir a ocorrência de doenças relacionadas à falta de saneamento e, consequentemente, reduza a pressão sobre os serviços públicos de saúde.

“Mato Grosso do Sul vai ser o primeiro Estado do Brasil a universalizar o esgotamento sanitário. Isso para a saúde da população e para o meio ambiente significa muito. É um ganho na qualidade de vida das pessoas que vai ficar para as próximas gerações”, concluiu Reinaldo.

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