Indústria cresce em MS e aumenta disputa por trabalhadores qualificados

Com mercado aquecido e mais de R$ 115 bilhões em investimentos privados, Estado enfrenta dificuldade para encontrar profissionais preparados para novas vagas

Imagem de compartilhamento para o artigo Indústria cresce em MS e aumenta disputa por trabalhadores qualificados da MS Todo dia

Compartilhe:

Ícone Compartilhar no Whatsapp Ícone Compartilhar no Twitter Ícone Compartilhar por e-mail

O crescimento da indústria, dos serviços e de novas cadeias produtivas começa a mudar o perfil do mercado de trabalho em Mato Grosso do Sul. Em algumas áreas, o desafio já não está apenas na criação de empregos, mas em encontrar profissionais qualificados para preencher as vagas abertas com a chegada de novos investimentos.

A avaliação é da diretora-presidente da Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), Marina Hojaij Carvalho Dobashi, que acompanha o aumento da demanda por trabalhadores em diferentes regiões do Estado.

“Hoje podemos afirmar que Mato Grosso do Sul vive um mercado de trabalho aquecido. O crescimento econômico, aliado aos grandes investimentos privados e às políticas públicas voltadas à empregabilidade, tem ampliado significativamente a oferta de vagas. Em algumas áreas, o desafio já não é criar empregos, mas formar profissionais qualificados para atender à demanda das empresas”, afirma.

O cenário acompanha uma transformação na economia sul-mato-grossense, com expansão de atividades industriais ligadas principalmente ao processamento da produção agropecuária, além de investimentos em bioenergia, logística, construção civil e serviços.

Investimentos avançam para o interior

Municípios como Inocência, Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Chapadão do Sul estão entre as cidades que recebem novos empreendimentos e sentem diretamente os impactos da expansão econômica.

A estratégia de industrialização busca fazer com que uma parcela maior da produção seja processada dentro do próprio Estado, movimentando não apenas as grandes empresas, mas também fornecedores, transportadoras, prestadores de serviços e o comércio local.

Entre 2023 e 2030, Mato Grosso do Sul reúne uma carteira superior a R$ 115 bilhões em investimentos privados, considerando projetos já concluídos, em execução ou previstos.

Do total, aproximadamente R$ 27 bilhões correspondem a investimentos concluídos, cerca de R$ 60 bilhões estão em execução e outros R$ 29 bilhões fazem parte de projetos futuros.

Quando estiverem em funcionamento, os empreendimentos têm potencial para gerar pelo menos 18 mil empregos diretos. Atualmente, a indústria responde por 22,4% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

Qualificação se torna parte do desafio

A abertura de novas unidades industriais, entretanto, não garante que todas as oportunidades sejam preenchidas por trabalhadores das próprias regiões onde os investimentos chegam.

A dificuldade em encontrar profissionais preparados para determinadas funções coloca a qualificação da mão de obra como uma das principais necessidades desse novo ciclo econômico.

Com isso, iniciativas de formação profissional passam a acompanhar a atração de empreendimentos, na tentativa de aproximar o perfil dos trabalhadores das exigências das empresas.

Mato Grosso do Sul também possui atualmente a sétima maior renda média do trabalhador do Brasil, segundo os dados apresentados no levantamento.

Riedel destaca infraestrutura e trabalhadores

O governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, avalia que a capacidade de atrair novos investimentos depende de um conjunto de condições que vai além de incentivos econômicos.

Entre os fatores considerados pelas empresas estão disponibilidade de estradas, energia, internet, saneamento, matéria-prima e mão de obra.

“Ser um Estado verdadeiramente atrativo requer visão de futuro, planejamento e muito trabalho”, afirma Riedel.

Segundo o governador, as empresas avaliam a estrutura disponível antes de decidir pela instalação de novas unidades produtivas.

“Para um grupo industrial, por exemplo, decidir instalar uma nova unidade, ele certamente considera se a região dispõe de recursos como estradas, energia, internet, saneamento básico, matéria-prima e trabalhadores”, explica.

Ao mesmo tempo, o crescimento econômico gera novas necessidades para os municípios que recebem esses empreendimentos.

Para Riedel, quem chega para trabalhar também analisa aspectos diretamente ligados à qualidade de vida, como moradia, pavimentação, abastecimento de água, escolas, unidades de saúde e supermercados.

Crescimento também pressiona cidades

A instalação de grandes empreendimentos pode aumentar a geração de empregos e a circulação de renda, mas também amplia a demanda por habitação, infraestrutura urbana e serviços públicos.

O desafio passa a ser garantir que o crescimento econômico seja acompanhado pela preparação das cidades e pela formação dos trabalhadores que poderão ocupar as novas vagas.

Nesse cenário, a qualificação profissional ganha espaço como uma das peças centrais para transformar investimentos em oportunidades concretas para a população.

Com empresas ampliando operações e novos projetos avançando pelo interior, o próximo passo será fazer com que o aumento da oferta de empregos encontre trabalhadores preparados e que a expansão econômica também resulte em melhoria das condições de vida nas cidades que recebem esses investimentos.

Foto: Saul Schramm

Você também pode gostar de ler

00:00 / 00:00