Para quem olha apenas uma planilha orçamentária, R$ 12,97 milhões podem parecer apenas uma sequência de números. Mas, quando os recursos são rastreados até sua finalidade, eles começam a ganhar forma: uma nova Unidade Básica de Saúde para substituir um imóvel alugado, dinheiro para manter atendimentos no Hospital Regional, uma ambulância para transportar pacientes, equipamentos médicos, estrutura para escolas, portais turísticos e maquinário voltado ao setor produtivo.
Levantamento analisado pelo MS Todo Dia, atualizado em 17 de junho de 2026, relaciona R$ 12.978.388 em recursos destinados a Coxim e associados à atuação da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS). O valor global, porém, reúne diferentes modalidades orçamentárias e diferentes estágios de execução — não significa que os R$ 12,97 milhões tenham sido integralmente pagos nem que todo o montante seja formado exclusivamente por emendas individuais da parlamentar.
Essa distinção é importante. A própria página de transparência da senadora explica que seu levantamento reúne recursos obtidos por emendas individuais, coletivas, propostas voluntárias e outras modalidades. Para Coxim, a página confirma, entre outros registros, R$ 1 milhão para saúde, R$ 955 mil para portais, R$ 250 mil para o Hospital Regional, R$ 400 mil para educação, R$ 987 mil para UBS e R$ 500 mil para o Hospital Regional.
Saúde transforma números em atendimento
É na saúde que parte significativa dos recursos consegue ser traduzida mais diretamente para o cotidiano da população.
O levantamento começa em 2019 com R$ 1 milhão para custeio de Média e Alta Complexidade do Hospital Regional Álvaro Fontoura, registrado como recurso extra e pago em 31 de dezembro daquele ano.
Em 2021, aparecem mais R$ 250 mil para custeio MAC do Hospital Regional, por RP9, além de R$ 250.177 destinados ao Fundo Municipal de Saúde de Coxim. Os registros do levantamento apontam pagamento dos dois valores.
Aqui é necessário fazer uma diferenciação: custeio não significa necessariamente compra de um equipamento específico. Esse tipo de transferência financia despesas da assistência e funcionamento dos serviços dentro da finalidade autorizada. Sem notas fiscais e processos municipais individualizados, não seria correto afirmar que determinado aparelho ou medicamento foi comprado com esses valores.
O que pode ser dito com segurança é que esses recursos foram direcionados ao financiamento da rede de saúde e, no caso do Hospital Regional, ajudam a sustentar a estrutura responsável pelo atendimento especializado de pacientes de Coxim e da região.
Nova UBS do Flávio Garcia: R$ 987 mil federais viraram obra
Um dos casos em que é possível enxergar claramente o destino do dinheiro é a Unidade Básica de Saúde do bairro Flávio Garcia.
A planilha registra R$ 987 mil, por emenda individual de Soraya, para construção de UBS, com pagamento indicado em dezembro de 2024.
A Prefeitura de Coxim confirma a obra e fornece detalhes importantes: a nova unidade possui projeto de aproximadamente 288 metros quadrados e foi concebida para substituir a UBS que funcionava em imóvel alugado. O município informa investimento total de R$ 1,134 milhão, formado pelos R$ 987 mil federais e R$ 147 mil de contrapartida municipal.
Isso muda a dimensão do recurso. Para o morador, não se trata apenas de R$ 987 mil em uma tabela de Brasília. Trata-se da perspectiva de atendimento em estrutura própria, planejada especificamente para funcionar como unidade de saúde.
Soraya participou, ao lado do prefeito Edilson Magro e de representantes da saúde municipal, da assinatura da ordem de serviço. A própria Prefeitura descreveu a obra como destinada a proporcionar instalações mais adequadas para o atendimento da comunidade.
Mais R$ 500 mil para o Hospital Regional
Em 2023, outra emenda individual aparece diretamente ligada ao Hospital Regional de Coxim: R$ 500 mil para custeio MAC, com pagamento registrado em junho daquele ano.
A página de transparência parlamentar também relaciona os R$ 500 mil ao Hospital Regional, identificando a Prefeitura de Coxim como responsável pela execução.
Novamente, por se tratar de custeio, a documentação pública encontrada não permite transformar os R$ 500 mil em uma relação específica de medicamentos, exames ou equipamentos comprados. Para chegar a esse nível de detalhamento seriam necessárias as notas de empenho e liquidação da execução municipal vinculadas ao recurso.
2026 coloca mais R$ 2,7 milhões na saúde
A execução de 2026 acrescenta uma nova rodada expressiva de recursos.
A emenda individual 40860001 registra R$ 300 mil para custeio MAC, pagos em junho. Já a emenda 40860003 destina R$ 2 milhões para custeio da Atenção Primária à Saúde (PAP), também com pagamento registrado em junho de 2026.
Os registros de execução federal consultados confirmam movimentações em favor do Fundo Municipal de Saúde de Coxim, incluindo pagamento de R$ 300 mil vinculado à emenda de Soraya.
São recursos que podem alcançar justamente a porta de entrada do SUS: a atenção primária, onde estão consultas, acompanhamento de pacientes, prevenção e atendimento cotidiano das famílias. Mas, novamente, custeio não deve ser apresentado como compra específica sem a documentação municipal correspondente.
Ambulância, eletrocardiógrafo e longarina: aqui é possível saber o que o dinheiro financia
Em outra emenda de 2026, a destinação é muito mais específica.
São R$ 399.998 para estruturação da Média e Alta Complexidade, e o próprio levantamento identifica os bens: ambulância Tipo A, eletrocardiógrafo e longarina.
O valor foi dividido em duas propostas: R$ 334.413 e R$ 65.585, ambas registradas como pagas em junho de 2026. A execução federal localizada na pesquisa também apresenta pagamentos ao Fundo Municipal de Saúde de Coxim nesses mesmos valores e vinculados à emenda 202640860004.
Nesse caso, o benefício à população é objetivo. A ambulância amplia a estrutura disponível para deslocamento de pacientes; o eletrocardiógrafo é utilizado na avaliação da atividade elétrica do coração; e as longarinas integram a estrutura física utilizada pelos pacientes nos serviços de atendimento.
Aqui, diferentemente de um recurso genérico de custeio, há correspondência documental entre valor e finalidade dos equipamentos.
Quase R$ 1 milhão para ampliar outra UBS
A saúde ainda possui um investimento de R$ 999.963 para ampliação de Unidade Básica de Saúde, por meio de emenda individual de 2024.
No levantamento atualizado em junho de 2026, entretanto, a situação aparece como “proposta empenhada aguardando formalização”.
Portanto, esse quase R$ 1 milhão deve ser apresentado como recurso empenhado, e não como obra integralmente paga ou concluída.
É justamente essa separação entre anúncio, empenho, pagamento e entrega que permite ao cidadão acompanhar o caminho do dinheiro público.
Educação: R$ 400 mil para quatro escolas
Outro recurso que chama atenção está na educação.
Soraya destinou R$ 400 mil para equipamentos escolares destinados a quatro escolas de Coxim. O documento é específico ao indicar laptop educacional, projetor interativo e Kit Escola Conectada.
A página de transparência da senadora confirma os R$ 400 mil para Apoio ao Desenvolvimento da Educação Básica, empenhados em outubro de 2022.
Mas existe uma ressalva importante. O levantamento registra o projeto como em execução e informa que deveriam ser inseridos no Simec o contrato e as notas fiscais para análise técnica e posterior desembolso.
Assim, é possível afirmar que há R$ 400 mil empenhados para os equipamentos, mas não que os quatro estabelecimentos tenham recebido todos os laptops, projetores e kits, porque a documentação pesquisada não oferece comprovação suficiente dessa entrega final.
Mais R$ 600 mil previstos para duas unidades educacionais
Em 2024, outras duas destinações aparecem para educação.
São R$ 300 mil para a APM do Centro de Educação Infantil Senhor Divino e outros R$ 300 mil para a APM da Escola Municipal Maria Lucia Batista, ambos destinados à estruturação das unidades e previstos para execução via Governo de Mato Grosso do Sul.
Na atualização de 17 de junho de 2026, porém, os dois recursos permaneciam “em tramitação”.
Portanto, os R$ 600 mil integram a carteira de recursos relacionada à atuação parlamentar, mas não devem ser apresentados como dinheiro já pago às duas escolas.
Portais turísticos: R$ 955 mil pagos
O turismo aparece no levantamento com R$ 955 mil para construção de pórticos — os Portais Turísticos de Coxim. O recurso é de 2019, vinculado ao Ministério do Turismo, e consta como pago em dezembro de 2023.
A página de transparência da senadora também registra a construção de pórticos em Coxim e identifica a Prefeitura como responsável pela execução.
Na base consultada, o projeto federal de infraestrutura turística aparece como “Construção de Portais no município de Coxim-MS”.
A documentação localizada, entretanto, não oferece segurança suficiente para informar nesta matéria o custo individual de cada portal, a empresa executora e a medição final da obra. Esses detalhes exigem o processo licitatório municipal específico.
Dois tratores agrícolas: R$ 656,2 mil empenhados
No setor produtivo, o levantamento registra R$ 656.250 para aquisição de dois tratores agrícolas, por meio do Estado.
A modalidade indicada é emenda de comissão RP8, de 2023, vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Na última atualização do documento, o recurso estava empenhado e aguardando pagamento.
Aqui também existe uma diferença importante: a planilha relaciona a ação à carteira acompanhada pela senadora, mas, por se tratar de emenda de comissão, tecnicamente não deve ser apresentada como emenda individual exclusiva de Soraya.
Caso a aquisição seja concluída, a finalidade descrita é objetiva: duas unidades de trator agrícola, equipamentos que podem reforçar serviços ligados ao setor produtivo.
R$ 2 milhões para feira agropecuária
Outro dos maiores valores individuais da planilha é de R$ 2 milhões para realização de feira agropecuária, por emenda individual 40860007 de 2024, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário. O levantamento classifica a ação como “realizada”.
A página pública da senadora também registra em 2024 uma ação vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar para Coxim.
Neste ponto, porém, a varredura não encontrou documentação municipal suficientemente detalhada para atribuir, com segurança, parcelas dos R$ 2 milhões a palco, estrutura, fornecedores, alimentação ou qualquer contratação específica. Não seria correto inventar esse detalhamento.
Há ainda um elemento de transparência que merece acompanhamento: reportagens publicadas em agosto de 2026 informaram que uma transferência mais ampla destinada a ações de feiras e qualificação rural envolvendo Aquidauana, Coxim e Naviraí entrou em auditoria da CGU, com questionamentos sobre detalhamento de planos de trabalho e rastreabilidade. Isso não equivale, por si só, a afirmar irregularidade na aplicação específica em Coxim, mas é um fato posterior relevante para fiscalização.
Um R$ 1 milhão que não pode ser contado como equipamentos do CAPS
A planilha também contém R$ 1 milhão originalmente previsto para equipamentos e materiais permanentes do CAPS I, por meio da emenda individual 40860003 de 2022.
Mas o próprio documento faz uma correção essencial: registra a proposta como “não empenhada” e informa que a emenda foi alterada para Estruturação PAP, sob outra identificação.
Consequentemente, seria incorreto afirmar que R$ 1 milhão em equipamentos foi entregue ao CAPS.
R$ 680 mil ainda estão em análise
A relação termina com R$ 680 mil para custeio da Atenção Primária, vinculados à Portaria 10.169, classificados como recurso extra RP2.
Na atualização de 17 de junho, o valor permanecia em análise pela área finalística.
Esse dinheiro, portanto, não pode ser somado ao montante efetivamente recebido como se já estivesse disponível nos cofres municipais.
O que os R$ 12,97 milhões realmente representam
O documento entregue ao MS Todo Dia fecha a carteira em R$ 12.978.388.
A investigação documental mostra, entretanto, que a maneira jornalisticamente correta de apresentar o número é: R$ 12,97 milhões relacionados no levantamento de recursos para Coxim, e não “R$ 12,97 milhões já pagos por Soraya”.
Dentro dessa carteira existem recursos individuais diretamente identificados com a parlamentar, mas também RP9, RP8, RP2 e recursos extras. Há dinheiro já pago, recursos empenhados, projetos em tramitação, valores em análise e uma destinação de R$ 1 milhão que foi alterada.
Essa cautela não diminui os investimentos. Pelo contrário: permite mostrar à população exatamente onde a atuação parlamentar pode ser medida em resultados concretos.
Na saúde, o dinheiro aparece na construção da UBS do Flávio Garcia, no financiamento do Hospital Regional, no custeio da atenção básica e em equipamentos identificáveis, como ambulância Tipo A e eletrocardiógrafo. Na educação, estão previstos laptops, projetores e kits de conectividade. No turismo, há os portais. No setor produtivo, a carteira prevê tratores e ações voltadas ao meio rural.
A Prefeitura confirma que a UBS do Flávio Garcia, por exemplo, substituirá uma estrutura que funcionava em imóvel alugado e terá espaço próprio de aproximadamente 288 m².
É nesse ponto que a cifra deixa Brasília e chega à vida cotidiana: quando o recurso se converte em um lugar melhor para uma mãe levar o filho à consulta, em uma ambulância disponível para transportar um paciente, em estrutura para o profissional de saúde trabalhar ou em equipamentos que chegam à escola.
Fonte: Jkrnal Ms Todo Dia
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