Inocência vive boom de empregos com Arauco e enfrenta desafio de preparar cidade para nova indústria

Projeto Sucuriú prevê 14 mil trabalhadores no pico das obras e cerca de 6 mil empregos na operação; qualificação, moradia e serviços públicos entram no centro da transformação

Imagem de compartilhamento para o artigo Inocência vive boom de empregos com Arauco e enfrenta desafio de preparar cidade para nova indústria da MS Todo dia

Compartilhe:

Ícone Compartilhar no Whatsapp Ícone Compartilhar no Twitter Ícone Compartilhar por e-mail

Durante anos, Leandro Rodrigues dos Santos precisou deixar Inocência para buscar oportunidades em São Paulo e Minas Gerais. Com a chegada de novos investimentos ao município, o caminho se inverteu: ele voltou para casa e decidiu investir.

A família planejava construir um hotel com 14 apartamentos, mas a confirmação da fábrica de celulose da Arauco e o aumento da procura por hospedagem fizeram o projeto dobrar de tamanho antes mesmo da inauguração. O empreendimento nasceu com 28 quartos e passou a empregar sete moradores.

“As pessoas estão voltando. As famílias estão se reunindo de novo”, relatou o empresário em depoimento divulgado pela Arauco.

A experiência de Leandro retrata parte da transformação vivida por Inocência, onde hotéis ampliam a capacidade, novos negócios surgem e milhares de trabalhadores passam a circular por uma cidade de menos de 9 mil habitantes.

No centro dessa mudança está o Projeto Sucuriú, da Arauco. A companhia informa investimento de US$ 4,6 bilhões, capacidade prevista para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano e início das operações até o final de 2027. No pico da construção, a previsão é superar 14 mil oportunidades de trabalho. Na fase de operação, a estimativa é de cerca de 6 mil empregos nas áreas industrial, florestal e logística.

O impacto já aparece no mercado de trabalho. Entre janeiro e maio de 2026, Inocência registrou saldo de 3.471 vagas na indústria, o maior entre os municípios sul-mato-grossenses no período, segundo levantamento do Observatório da Indústria da Fiems com dados do Novo Caged.

Só em janeiro, o município apresentou saldo de 1.081 empregos formais, liderando Mato Grosso do Sul naquele mês.

Emprego cresce, mas qualificação vira desafio

A criação de milhares de postos de trabalho traz uma questão central: garantir que os moradores da própria região estejam preparados para disputar as vagas de maior qualificação.

Uma indústria desse porte demanda eletricistas, mecânicos, operadores, técnicos de automação, logística, química, segurança e manutenção. Sem formação profissional acompanhando o ritmo dos investimentos, parte dessas funções pode depender da contratação de trabalhadores de outras regiões.

Uma das respostas foi a implantação da Casa do Trabalhador de Inocência, inaugurada em abril de 2025 e vinculada à Funtrab. A unidade atua na intermediação de mão de obra e integra o programa MS Qualifica. Na época da abertura, o município acumulava 1.385 admissões e saldo positivo de 730 empregos no ano.

Outra iniciativa é o programa Abrace Este Projeto, desenvolvido pela Arauco em parceria com o Senai. Foram anunciadas 560 vagas gratuitas em cursos técnicos nas áreas de automação, celulose e papel, eletrotécnica, logística, mecânica e química, distribuídas entre Inocência, Paranaíba e Três Lagoas, com bolsas de até R$ 1,5 mil.

Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, o desafio é fazer com que a atração de grandes empresas seja acompanhada da preparação das cidades e da população local. No material que embasa esta reportagem, ele defende que emprego, infraestrutura e serviços públicos avancem simultaneamente.

Crescimento pressiona moradia e serviços públicos

O mesmo movimento que amplia a oferta de empregos e aumenta o faturamento de hotéis, restaurantes e lojas também eleva a demanda por moradia, escolas, saúde, saneamento, segurança e assistência social.

A transformação obrigou poder público e iniciativa privada a planejar novas estruturas. Entre as ações vinculadas ao Plano Estratégico Socioambiental estão a ampliação do Centro Educacional Infantil Professor Olivalto Elias da Silva, uma nova sede para o Cras e uma Casa de Passagem. Em agosto deste ano, a Prefeitura informou que essas obras estavam em andamento.

Na infraestrutura, Inocência também recebeu em abril de 2025 um novo aeródromo, com investimento informado de aproximadamente R$ 20 milhões, equipado com pista, taxiway e pátio para aeronaves.

O Governo do Estado também lançou investimentos para restauração da MS-377, uma das ligações importantes para a região, incluindo 48,2 quilômetros entre a MS-320 e a MS-112/MS-316.

Para Riedel, a preparação precisa ocorrer antes de a fábrica entrar definitivamente em operação.

“O objetivo não pode ser apenas comemorar os empregos temporários da construção. É preciso preparar a transição para 2027, quando o canteiro começará a dar lugar à operação permanente”, afirmou, segundo o material da reportagem.

A mudança já pode ser percebida em histórias como a de Leandro. Um hotel inicialmente projetado com 14 apartamentos precisou nascer com 28, novos empregos foram criados e moradores que antes deixavam a cidade em busca de trabalho começam a enxergar oportunidades para permanecer ou retornar.

A fábrica só deverá produzir celulose no fim de 2027. O desafio de Inocência, porém, já está colocado: transformar o crescimento acelerado em empregos duradouros, qualificação para os moradores e estrutura suficiente para acompanhar uma cidade que muda antes mesmo de a indústria começar a operar.

Você também pode gostar de ler

00:00 / 00:00