Riedel defende pecuária sustentável como aliada da preservação e da permanência das famílias no Pantanal

Candidato à reeleição cita certificação, rastreabilidade e pagamento por serviços ambientais como caminhos para conciliar produção, renda e conservação

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Preservar o Pantanal sem afastar as famílias que vivem e produzem na região é um dos desafios colocados no debate sobre o futuro da planície. Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, a pecuária pode continuar ocupando papel central na economia do bioma, desde que seja acompanhada por manejo adequado, rastreabilidade, assistência técnica e incentivos às práticas de conservação.

O debate também envolve a permanência das novas gerações no campo. Quarta geração de uma família de pecuaristas, Leonardo Leite de Barros afirma que a falta de escolas, estradas e atendimento de saúde tem contribuído para afastar jovens das propriedades rurais.

“Nossas crianças não conseguem mais viver no Pantanal. Estão indo para as cidades que circundam a planície, longe dos pais e, muitas vezes, enfrentando grandes dificuldades”, afirmou.

A dimensão econômica da atividade ajuda a explicar a importância da discussão. Dados da Semadesc apontam que o Pantanal sul-mato-grossense reúne mais de 4,2 milhões de bovinos, cerca de 22,7% do rebanho estadual, e que a comercialização de bois e bezerros movimentou mais de R$ 5 bilhões em 2024.

A pecuária está presente na região há cerca de três séculos e parte expressiva da produção ainda é baseada na cria extensiva de bezerros, posteriormente encaminhados para outras regiões do Estado para engorda e abate.

Leonardo afirma que a produção tradicional se desenvolveu historicamente aproveitando as pastagens nativas e acompanhando os ciclos de cheia e seca.

“Ao longo dos séculos desenvolvemos processos produtivos compatíveis com a preservação e com a produção extensiva de bezerros”, declarou.

Isso, porém, não significa que qualquer modelo de criação seja automaticamente sustentável. O próprio material destaca que excesso de animais, degradação de pastagens, abertura inadequada de áreas e manejo incorreto do fogo podem comprometer tanto a produtividade quanto o ambiente.

Riedel defende que o tamanho do rebanho seja ajustado à capacidade das propriedades e que áreas de vegetação e cursos d'água sejam protegidos.

“Produzir de forma sustentável exige ajustar o tamanho do rebanho à capacidade do campo, preservar corredores de vegetação, proteger cursos de água e preparar a fazenda para períodos mais longos de seca ou inundação”, afirmou.

Certificação transforma conservação em incentivo econômico

Uma das políticas estaduais utilizadas para estimular esse modelo é o Programa de Incentivo à Produção de Carne Bovina Sustentável e Orgânica no Pantanal.

Segundo a Semadesc, produtores certificados na modalidade Pantanal Orgânico podem receber incentivo equivalente a 67% do imposto devido em operações internas. Para a modalidade Pantanal Sustentável, o percentual é de 50%.

O programa exige critérios como regularidade ambiental e sanitária, certificação independente e identificação individual dos animais.

Desde a criação da iniciativa, em 2018, o Estado informa que aproximadamente R$ 63 milhões já foram destinados aos produtores participantes.

Leonardo, que atua também na comercialização de carnes certificadas, defende que o modelo ajuda a diferenciar o produto pantaneiro.

“A criação extensiva tradicional, associada às boas práticas de manejo e à certificação, mostra que é possível produzir carne de alta qualidade preservando um dos biomas mais importantes do planeta”, afirmou.

Riedel reconhece, porém, que o acesso aos mecanismos de certificação ainda precisa ser ampliado.

“A certificação ainda precisa alcançar mais produtores. Esta é uma lacuna a ser sanada”, declarou.

Custos com identificação individual, assistência técnica, adequação documental e certificação podem dificultar especialmente a entrada de pequenos produtores.

Outro instrumento citado é a rastreabilidade, que permite acompanhar a origem e a movimentação dos animais e pode ajudar a demonstrar o cumprimento de exigências ambientais e sanitárias cada vez mais presentes nos mercados consumidores.

O diagnóstico produzido para o Plano de Fortalecimento das Cadeias Pecuárias do Pantanal propõe, entre outras medidas, ampliação da rastreabilidade, criação de selos de origem, valorização do couro, habilitação de frigoríficos e pagamento por serviços ambientais.

O plano contempla ainda cadeias como ovinos, equinos, apicultura, piscicultura e manejo de jacarés, buscando ampliar as alternativas de renda nas propriedades pantaneiras.

Produtor pode receber também pela conservação

Além da carne certificada, Mato Grosso do Sul possui o Programa Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais (PESA), que prevê incentivos econômicos para atividades que contribuam para a manutenção e recuperação dos serviços ambientais. Uma das modalidades é específica para o Bioma Pantanal.

A lógica defendida pelo Governo é permitir que a propriedade rural gere renda não somente pela produção, mas também pela conservação de áreas naturais.

“A estratégia não é retirar o boi do Pantanal, mas fazer com que sua criação contribua para manter a paisagem que distingue o produto e valoriza o território”, afirmou Riedel.

Para que o modelo alcance mais propriedades, o desafio passa por ampliar assistência técnica, crédito, conectividade e acesso aos programas de certificação.

A infraestrutura também aparece como ponto essencial. Leonardo reconhece avanços em estradas, mas afirma que ainda existem carências no atendimento às famílias que permanecem na planície.

“Houve melhorias importantes com investimentos em estradas, que facilitaram o acesso, mas ainda faltam escolas e postos avançados de saúde”, declarou.

A discussão colocada por Riedel para um eventual próximo mandato é, portanto, manter a pecuária como atividade econômica relevante do Pantanal, mas ampliar os mecanismos que remunerem boas práticas e reduzam a pressão ambiental.

Ao mesmo tempo, produtores como Leonardo defendem que preservar o bioma também exige condições para que as famílias continuem vivendo nele. Nesse cenário, produção, conservação e qualidade de vida passam a fazer parte de uma mesma equação para o futuro do Pantanal.

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