Cuidar de um filho, de um familiar ou de alguém que depende de atenção constante exige tempo, energia e dedicação. No entanto, em meio à rotina de cuidados, muitas pessoas acabam deixando a própria saúde em segundo plano. Foi justamente esse alerta que marcou o evento “Fortalecendo Quem Cuida” , promovido pela Clínica Divertidamente, na Costa Rica, dentro da programação do Setembro Amarelo.
O encontro reuniu mais de 60 mães e contou com palestras sobre saúde mental, autocuidado e alimentação, além de momentos de troca entre famílias e profissionais.
Durante a palestra, a médica Rihanny Oliveira destacou que oscilações de humor e períodos tensos fazem parte da vida, mas alguns sinais podem indicar que é hora de olhar com mais atenção para a própria saúde.
Segundo ela, alterações no sono, falta de energia, irritabilidade, impaciência e mudanças no funcionamento habitual são sinais que merecem atenção, principalmente quando originam a provocar prejuízos nos relacionamentos, no trabalho e nas atividades cotidianas.
“Quando a gente começa a ter prejuízos funcionais e intensidade maior do que o normal, e isso começa a nos trazer sofrimento, é um momento de parar, olhar para si e muitas vezes procurar ajuda.”
A medicina também chamou atenção para uma característica comum entre os cuidadores: a tendência de concentrar toda a energia na pessoa que precisa de assistência e esquecer das próprias necessidades.
Ela utilizou uma metáfora para explicar a importância do autocuidado: se duas pessoas estão se afogando, uma não consegue salvar a outra sem antes conseguir chegar à borda, recuperar o fôlego e então voltar para ajudar.
Para Rihanny, a lógica também vale para pais, mães e demais cuidadores. “Autocuidado não é egoísmo” , afirmou, defendendo que descanso, atividade física, alimentação adequada e momentos de qualidade precisam fazer parte da rotina.
A atenção é ainda mais importante para famílias que vivem uma rotina intensa de cuidados. A médica destacou que, embora algumas recomendações pareçam difíceis de aplicar no dia a dia, pequenas mudanças podem ajudar, como colocar o descanso na agenda e não tratá-lo como algo opcional.
“Eu não estou só”
Entre as participantes estava Dalhane Pereira, mãe de Mari, que realiza atendimento na Clínica Divertidamente. Para ela, um dos principais aprendizados do encontro foi perceber que outras famílias passam por desafios semelhantes.
“Eu aprendi muito. Ouvi, também fui ouvida pelas pessoas. O que eu mais aprendi? Que eu não estou só, eu não sou única. Assim como você, mãe, pai, vó, vô, cuidador, tio, prima”, relatou.
Dalhane também reforçou a importância de procurar ajuda e destacou que o acolhimento pode ser encontrado não apenas na rede particular, mas também no Sistema Único de Saúde (SUS).
Para ela, o primeiro passo é justamente vencer a resistência e buscar apoio. “Vamos dar o primeiro passo. Sempre ele é importante.”
A mãe também destacou que o cuidado não deve se limitar à criança ou à pessoa que necessita de acompanhamento. Para ela, é preciso olhar para a família como um todo. “Temos que cuidar da nossa mente, do nosso corpo, do nosso coração em geral”, afirmou.
Alimentação também entra na conversa
O evento também abordou a relação entre alimentação e saúde mental. A nutricionista Etiene Pavan explicou que o organismo funciona de maneira integrada e que a alimentação pode influenciar disposição, funcionamento cerebral e equilíbrio emocional.
A profissional destacou a importância de uma alimentação saudável e do consumo de alimentos menos processados. A ideia foi resumida em uma orientação simples: quanto mais se descasca e menos se desembala, melhor tende a ser a qualidade da alimentação.
"Quando nós nutrimos o nosso corpo de uma forma adequada, a nossa disposição é outra, o nosso emocional, ele muda completamente. Eu digo muito que o nosso corpo, ele é todo interligado. Então, quando nós nutrimos com a quantidade e adequação dos alimentos corretos, porque nós somos seres únicos, nós contribuímos muito para a nossa saúde cerebral.", expôs.
A relação entre alimentação e saúde mental foi apresentada como parte de um conjunto de cuidados que também envolve sono, atividade física, descanso e qualidade de vida.
Projeto quer sair dos limites da clínica
Para a coordenadora da Clínica Divertidamente, Neylla, o resultado do encontro mostrou que existe demanda por espaços de acolhimento e orientação para as famílias.
Segundo ela, mais de 60 mães participaram da atividade, que também contou com profissionais convidados. "O sentimento é de gratidão, o coração está transbordando de felicidade. Foi atingido o público que a gente tinha a pretensão de alcançar", afirmou ao MS Todo Dia.
Neylla explicou que a proposta do “Fortalecendo Quem Cuida” não é realizada uma ação isolada. A intenção é promover novos encontros e ampliar o público em desenvolvimento.
Durante o evento, surgiu a proposta de realizar momentos de encontro em cada trimestre , envolvendo não apenas famílias atípicas, mas também avós, tios, outros familiares e pessoas que integram a rede de apoio. "O nome do evento já fala: Fortalecendo Quem Cuida. É um projeto que está implantado dentro da nossa clínica, mas não pode ficar só lá dentro", finalizou.
Para um coordenadora, ampliar esse diálogo é uma forma de mostrar às famílias que elas podem buscar ajuda e que não precisam enfrentar sozinhas as dificuldades relacionadas ao cuidado.
O encontro cerrou a programação com uma mensagem que atravessou as diferentes falas do evento: para cuidar bem de alguém, também é preciso aprender a cuidar de si.
Representando a Câmara Municipal da Costa Rica esteve a vereadora Professora Evair Gomes.
Galeria de Fotos: Fortalecendo Quem Cuida
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