Etanol de milho aumenta disputa pelo grão e pressiona logística do agro em MS

Expansão das usinas cria novo mercado para produtores, mas amplia demanda por transporte, armazenagem e alimentação animal

Imagem de compartilhamento para o artigo Etanol de milho aumenta disputa pelo grão e pressiona logística do agro em MS da MS Todo dia

Compartilhe:

Ícone Compartilhar no Whatsapp Ícone Compartilhar no Twitter Ícone Compartilhar por e-mail

A expansão da indústria de etanol de milho em Mato Grosso do Sul está mudando a dinâmica de comercialização do grão e criando uma disputa cada vez maior entre diferentes segmentos do agronegócio. Com mais usinas entrando em operação, o milho produzido no Estado passou a ter um novo comprador de grande escala, além dos mercados tradicionalmente ligados à exportação e à fabricação de ração.

Em pouco mais de quatro safras, Mato Grosso do Sul passou de nenhuma usina de etanol de milho em operação para três unidades funcionando — em Dourados, Sidrolândia e Maracaju — enquanto uma quarta está em implantação em Nova Alvorada do Sul. Para a safra 2025/2026, a produção estadual de etanol de milho é estimada em 2,128 bilhões de litros, colocando MS na segunda posição entre os maiores produtores do país.

A mudança representa uma oportunidade para quem produz milho, já que as usinas funcionam como um mercado interno de grande porte. A proximidade entre lavouras e indústrias também pode reduzir distâncias de transporte e parte dos custos logísticos enfrentados quando o grão precisa percorrer longos trajetos até portos ou outros centros consumidores.

O crescimento, porém, também aumenta a pressão sobre a infraestrutura necessária para movimentar essa produção. Transporte, armazenagem e distribuição passam a ter papel ainda mais importante em um cenário de expansão simultânea da agricultura e da indústria.

A disputa pelo milho também chega à pecuária, principalmente porque o grão é um dos principais componentes utilizados na alimentação de animais confinados. Com o aumento da demanda das usinas, o preço regional pode sofrer influência maior do consumo industrial.

O movimento é acompanhado por outra transformação: as próprias usinas geram coprodutos, como DDG e WDG, utilizados na alimentação de bovinos, suínos e aves. Assim, parte do milho que entra na indústria retorna ao campo na forma de insumo para alimentação animal.

Essa integração pode aproximar produtores de grãos, usinas e pecuaristas, mas também exige planejamento para evitar que o aumento da demanda pelo milho eleve excessivamente os custos de produção da pecuária.

Dados da Aprosoja/MS apontam que, na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul cultivou mais de 2 milhões de hectares de milho e produziu cerca de 13,9 milhões de toneladas. Aproximadamente 2 milhões de toneladas foram destinadas à exportação, enquanto o consumo interno ganhou espaço com a expansão das indústrias.

Para o produtor, a instalação das usinas amplia as alternativas de comercialização e pode diminuir a dependência de mercados externos. Ao mesmo tempo, o crescimento do consumo interno coloca a logística e a capacidade de armazenamento entre os principais desafios para acompanhar o avanço da cadeia.

O cenário mostra uma transformação no agro sul-mato-grossense: o milho deixou de ser apenas uma cultura de segunda safra voltada principalmente à exportação e à produção de ração e passou a ocupar também um papel estratégico na indústria de biocombustíveis.

Você também pode gostar de ler

00:00 / 00:00
X