“Autocuidado não é egoísmo”: Dra. Rihanny alerta para sinais de esgotamento entre pais, mães e cuidadores

Dra. Rihanny orientou cuidadores a reconhecer limites, preservar momentos de descanso e buscar ajuda quando a rotina começa a comprometer a saúde mental

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Cuidar dos filhos, dos pais ou de familiares que dependem de atenção constante pode fazer com que mães, pais e demais cuidadores coloquem as próprias necessidades em segundo plano. Durante o evento “Fortalecendo Quem Cuida”, realizado pela Clínica Divertidamente, em Costa Rica, a psiquiatra Dra. Rihanny Oliveira chamou atenção justamente para esse risco e reforçou uma mensagem direta: autocuidado não é egoísmo.

O encontro reuniu mais de 60 mães e promoveu uma manhã de palestras, acolhimento e troca de experiências sobre saúde mental, alimentação, autocuidado e qualidade de vida. Entre as profissionais convidadas, Dra. Rihanny abordou sinais de alerta relacionados ao desgaste emocional e à sobrecarga de quem exerce diariamente o papel de cuidador.

Em entrevista à Redação do MS Todo Dia, a psiquiatra explicou que oscilações no humor e na energia podem acontecer diante das dificuldades naturais da vida. Segundo ela, o sinal de alerta surge quando essas alterações passam a modificar de forma significativa o funcionamento habitual da pessoa.

É normal que a gente passe por fases ruins, é normal que oscile o humor e a energia conforme a vida vai impondo barreiras e problemas”, explicou.

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O problema, de acordo com a médica, começa quando o cansaço deixa de ser pontual e passa a comprometer diferentes áreas da rotina.

Quando a gente não tem mais energia, o sono fica comprometido, a gente fica mais irritado, mais impaciente e começa a ter prejuízos nas várias áreas da vida, no relacionamento, no trabalho, nas interações sociais e nas atividades cotidianas, isso precisa ser observado com mais atenção”, destacou.

Mudanças no sono, irritabilidade e perda de energia são sinais de alerta

Segundo Dra. Rihanny, não existe apenas um único sinal capaz de indicar que a saúde mental está comprometida.

A avaliação deve considerar mudanças no padrão habitual da pessoa, principalmente quando elas persistem e passam a interferir na qualidade de vida.

Entre os pontos citados pela médica estão:

* perda de energia;
* alterações importantes no sono;
* irritabilidade;
* impaciência;
* redução do interesse pelas atividades do dia a dia;
* dificuldades nos relacionamentos;
* prejuízos no trabalho;
* afastamento de atividades sociais.

Para a psiquiatra, observar essas mudanças é fundamental para reconhecer quando o sofrimento deixa de fazer parte apenas de uma fase difícil e passa a exigir maior atenção.

Quem cuida pode acabar esquecendo de si

Dra. Rihanny também explicou que uma das características mais comuns entre cuidadores é direcionar quase toda a energia para quem necessita de atenção.

Isso é típico do cuidador. Quando a gente está no papel de cuidar, muitas vezes esquece que também é um ser humano presente ali”, afirmou.

Segundo ela, esse comportamento pode acontecer tanto entre mães e pais quanto entre pessoas responsáveis por familiares idosos, doentes ou que necessitam de cuidados permanentes.

Direcionamos a nossa energia, a nossa atenção, tudo para quem está sendo cuidado. Isso acontece no cuidado com os filhos, com os pais e com a nossa família”, explicou.

Com o tempo, essa dinâmica pode provocar um afastamento da própria identidade.

A gente deixa de se ver no papel de uma pessoa que também precisa de cuidado e direciona tudo para o outro. Esse é um ponto muito sensível, porque podemos ir perdendo a nossa identidade enquanto pessoa”, alertou.

A médica acrescentou que esse processo pode fazer com que o cuidador se distancie emocionalmente da própria rotina e das atividades que antes lhe davam prazer.

“Isso vai distanciando a gente da nossa vida, das coisas que gostávamos de fazer e daquilo que também faz parte de quem somos.”

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“Autocuidado não é egoísmo”

Ao longo da entrevista ao MS Todo Dia, Dra. Rihanny reforçou que reservar tempo para si não deve ser interpretado como abandono das responsabilidades.

“Autocuidado não é egoísmo”, afirmou.

Para a psiquiatra, cuidar da própria saúde física e emocional também é uma maneira de proteger quem depende daquele cuidador.

Você tirar tempo para você, para fazer coisas que gosta e aquilo que lhe dá prazer, também é cuidar de quem está sendo cuidado”, explicou.

A médica ressaltou que um cuidador emocionalmente esgotado pode ter mais dificuldade para exercer suas funções no dia a dia.

Se você não tem saúde mental, você não consegue exercer o seu papel de cuidador com excelência e eficiência”, disse.

Culpa também pesa sobre pais e mães

Outro ponto abordado pela psiquiatra foi o sentimento de culpa, que muitas vezes acompanha a rotina de pais e mães.

Segundo Dra. Rihanny, o cuidador pode sentir culpa independentemente da decisão tomada.

“Se a gente está em casa, sente culpa porque deveria estar trabalhando para prover. Se está lá fora, sente culpa porque gostaria de estar em casa, cuidando do filho”, exemplificou.

Para ela, esse conflito constante reforça a necessidade de olhar para as próprias emoções e compreender que nenhum cuidador consegue sustentar uma rotina de atenção integral sem limites.

A orientação é buscar equilíbrio dentro da realidade de cada família e entender que descansar, trabalhar, se alimentar, praticar atividade física ou ter momentos de lazer não significa negligenciar quem precisa de cuidado.

Saúde mental se constrói por vários pilares

Dra. Rihanny também destacou que a saúde mental não depende de uma única atitude.

Segundo ela, o equilíbrio emocional é construído a partir de diferentes pilares.

“Saúde mental se constrói com sono de qualidade, alimentação de qualidade, tempo de qualidade e atividade física”, afirmou.

Durante o evento, a nutricionista Etiene Pavan também abordou a relação entre alimentação e bem-estar físico e emocional.

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Ao comentar a palestra da profissional, Dra. Rihanny concordou que os hábitos alimentares fazem parte desse processo de cuidado integral.

A médica reconheceu, porém, que para muitos pais e especialmente para famílias que vivem uma rotina intensa de cuidados, cumprir todos esses pontos diariamente pode parecer difícil.

Por isso, ela defende que o autocuidado seja construído por meio de pequenas mudanças possíveis dentro da rotina de cada pessoa.

Descanso precisa entrar na agenda

Entre as orientações deixadas pela psiquiatra, uma ganhou destaque durante a entrevista:

“Colocar o descanso como pauta na agenda, não como opcional.”

Segundo Dra. Rihanny, esperar que sobre tempo para descansar costuma fazer com que o próprio cuidado seja sempre adiado.

A proposta é tratar o descanso como parte da rotina, assim como trabalho, compromissos e responsabilidades familiares.

Isso pode incluir pequenos períodos destinados ao sono adequado, atividade física, alimentação, lazer, convivência social ou simplesmente momentos de pausa.

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Informação também é uma forma de prevenção

Para Dra. Rihanny, falar sobre saúde mental fora do consultório é uma forma importante de ampliar a prevenção e ajudar as pessoas a reconhecerem sinais de sofrimento antes que a situação se agrave.

Ao final da entrevista, a psiquiatra agradeceu o convite da Clínica Divertidamente e afirmou que considera esse tipo de atividade parte de seu propósito profissional.

Sempre que encontro espaço para falar sobre saúde mental, acredito que estou exercendo o meu propósito. Meu propósito não é fazer saúde mental somente dentro do consultório, mas levar saúde mental aonde eu conseguir chegar”, afirmou.

O evento “Fortalecendo Quem Cuida”, realizado pela Clínica Divertidamente em Costa Rica, reforçou justamente essa mensagem: para cuidar de outra pessoa de forma saudável e sustentável, o cuidador também precisa reconhecer seus limites, observar os próprios sinais emocionais e permitir-se receber cuidado.


Veja a galeria do evento clicando aqui.

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