Quem sustenta quem cuida? Divertidamente transforma autocuidado em pauta de valorização profissional

Clínica Divertidamente reúne colaboradores em Costa Rica para encontro sobre autocuidado, saúde emocional e valorização profissional com a neuropsicóloga Dra. Maria Romilda.

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Existe uma pergunta que muitas vezes fica escondida atrás da rotina de clínicas, consultórios e equipes multidisciplinares: quem cuida de quem passa os dias cuidando dos outros?

Foi a partir dessa reflexão que a Clínica Divertidamente reuniu, na manhã deste sábado (26), seus colaboradores para um café da manhã especial no Ives Hotel, em Costa Rica. Mais do que um encontro de confraternização, a proposta foi criar um espaço de escuta, reconhecimento e valorização profissional.

Com o tema “Sustentando o Autocuidado”, a atividade contou com a participação da neuropsicóloga Dra. Maria Romilda, que conduziu uma conversa sobre os desafios emocionais enfrentados diariamente pelos profissionais que atuam diretamente com crianças, jovens, adultos e suas famílias.

A Divertidamente mantém uma atuação multidisciplinar em Costa Rica, reunindo profissionais de áreas como psicologia, neuropsicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, musicoterapia e outras especialidades voltadas ao desenvolvimento, comportamento, comunicação, reabilitação e acompanhamento das famílias.

São profissionais que, além do conhecimento técnico, trabalham diariamente com vínculos, expectativas, dificuldades, avanços e desafios emocionais.

Para Dra. Maria Romilda, essa relação cria uma dinâmica que precisa ser compreendida também do ponto de vista de quem presta o atendimento.

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Em entrevista à Redação do Jornal MS Todo Dia, a neuropsicóloga explicou que existe uma espécie de tríade emocional dentro desse processo.

“Quando estamos cuidando de alguém, estamos desprendendo afetividade. Existe a demanda afetiva dos pais, a demanda da criança, do jovem ou do adulto que procura a Divertidamente e também a demanda do próprio cuidador.”

Segundo ela, esse envolvimento não desaparece simplesmente quando o atendimento termina.

“A demanda não se esvazia. Ela está sempre buscando, exigindo e preenchendo o cuidador”, ressaltou.

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Uma presença que não pode se esvaziar

O conceito apresentado durante o encontro parte da necessidade de o profissional conseguir permanecer emocionalmente presente sem transformar essa disponibilidade em esgotamento.

Para Dra. Maria Romilda, sustentar o autocuidado é reconhecer que o profissional também possui limites, necessidades e demandas próprias.

Isso inclui perceber sinais de sobrecarga, preservar momentos de descanso, compreender emoções, buscar apoio quando necessário e construir uma rotina que permita continuar cuidando do outro sem abandonar a própria saúde.

Dentro de profissões ligadas ao cuidado, essa discussão ganha ainda mais relevância.

Psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, musicoterapeutas, neuropsicólogos e outros profissionais convivem frequentemente com histórias familiares complexas, expectativas em relação à evolução das crianças e pressões inerentes ao acompanhamento terapêutico.

Por isso, a proposta da manhã foi reforçar que o autocuidado não representa distanciamento do paciente. Pelo contrário: pode ser um dos elementos necessários para garantir a continuidade e a qualidade do próprio cuidado.

Valorização também é cuidado

Dra. Maria Romilda destacou que a decisão de uma instituição investir em momentos de reflexão para os próprios colaboradores demonstra reconhecimento.

“Quando a instituição ou a empresa busca essa reflexão e proporciona isso ao colaborador, ela está dando um suporte para esse autocuidado”, afirmou.

Segundo a neuropsicóloga, o gesto representa também uma forma concreta de valorização.

“É um reconhecimento e uma demonstração da relevância desse profissional enquanto colaborador da própria instituição.”

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Ao avaliar a iniciativa da Clínica Divertidamente, ela reforçou que nem todas as organizações conseguem desenvolver esse olhar interno.

“Existem muitas instituições que ainda deixam a desejar com seus profissionais. Essa atitude é ímpar, porque quem faz o movimento, quem faz a empresa acontecer, são os próprios colaboradores.”

E completou:

“Vale a pena investir no colaborador.”

Da família para dentro da equipe

O encontro deste sábado também dá continuidade a uma sequência de ações promovidas pela Clínica Divertidamente durante o mês de setembro.

No último sábado, dia 19, a instituição realizou o projeto “Fortalecendo Quem Cuida”, voltado especialmente para mães e famílias.

A iniciativa reuniu mais de 60 participantes em um momento de orientação e acolhimento, com discussões sobre saúde mental, sinais de sobrecarga, alimentação e a importância de uma rede de apoio.

Na ocasião, profissionais como a médica psiquiatra Dra. Rihanny Oliveira e a nutricionista Etiene Pavan compartilharam orientações com as famílias.

Agora, uma semana depois, o olhar voltou-se para aqueles que diariamente recebem essas mesmas famílias dentro da clínica.

A mudança de público não altera a essência da proposta: cuidado precisa existir em todas as direções.

Uma cultura de cuidado

Ao reunir seus profissionais fora do ambiente tradicional de atendimento, a Clínica Divertidamente buscou criar um espaço em que o colaborador também pudesse ocupar o lugar de quem recebe atenção.

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O café da manhã no Ives Hotel transformou-se, assim, em uma oportunidade de troca de experiências e reflexão sobre o papel de cada profissional dentro da instituição.

Mais do que uma ação pontual, o encontro coloca em evidência um debate cada vez mais presente na área da saúde: organizações que trabalham com cuidado também precisam desenvolver mecanismos para cuidar das suas próprias equipes.

Em ambientes onde a entrega emocional faz parte da rotina, o reconhecimento profissional, a escuta e o autocuidado deixam de ser apenas benefícios e passam a integrar uma estratégia de saúde e sustentabilidade do trabalho.

A mensagem deixada durante o encontro foi simples, mas necessária: não é possível sustentar o cuidado do outro por muito tempo quando o próprio cuidador permanece emocionalmente esvaziado.

E foi justamente por compreender esse princípio que a Divertidamente decidiu, desta vez, voltar o cuidado para quem diariamente faz a clínica acontecer.

Fonte: Jornal Ms Todo Dia 

Foto/Video: Ms Todo Dia / Stagee

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