Além do monitoramento de focos via satélite, o combate aos incêndios na Amazônia e no Pantanal é tema de constantes encontros entre representantes onde ficam os biomas atingidos pelo fogo em uma das piores estiagens das últimas décadas.
Na noite desta quarta-feira (21), os governadores Eduardo Riedel (MS), Antônio Denarium (RR), Wilson Lima (AM), Gladson Cameli (AC) e Carlos Brandão (MA) discutiram o assunto em Brasília.
"O Pantanal já sofreu bastante, temos uma previsão de baixo índice de chuva nos próximos dois meses ainda e todas as nossas forças mobilizadas com o Governo Federal também apoiando bastante o Estado neste momento", disse Riedel.
Em Mato Grosso do Sul a área queimada pelos incêndios florestais chega a 1.495.475 hectares de janeiro deste ano até 20 de agosto (o que corresponde a 15% do Pantanal em MS). Mais de 500 bombeiros militares, policiais, integrantes das Forças Armadas, brigadistas da União e do governo estadual combatem as chamas dentro de um planejamento que começou a ser feito no início de 2024, diante das previsões climáticas anunciando a pior seca em 70 anos.
Os governadores foram recebidos no Distrito Federal por seis ministros: Rui Costa (Casa Civil), Simone Tebet (Planejamento), Marina Silva (Meio Ambiente), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome) e Laercio Portela (Comunicação).
A União anunciou que vai montar frentes de atuação em regiões amazônicas com maior número de incêndios florestais neste momento.
"Nós temos 21 municípios que concentram 50% de todos os focos de incêndios na Amazônia. E nós estamos separando em três regiões onde a gente quer instalar frentes multiagências interfederativas, ou seja, com órgãos federais e estaduais, e vamos chamar também órgãos municipais, para gente atuar sobre essas novas ignições de incêndio", afirmou André Lima, secretário extraordinário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial no MMA.
As três áreas prioritárias são as regiões entre Porto Velho, em Rondônia, e Humaitá, no Amazonas, na abrangência da BR-319; a região de Apuí, no Amazonas, por onde passa a BR-230, que é a Rodovia Transamazônica; além da região de Novo Progresso, no oeste do Pará, abrangida pela BR-163. Nessas localidades, serão instaladas bases multiagências, envolvendo órgãos federais, entre eles o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), além da Polícia Federal, polícias estaduais e outras agências estaduais.
Segundo o governo, já existem cerca de 360 frentes de incêndios em atuação no Norte do país, com mais de 1,4 mil brigadistas. De janeiro até agora, foram registrados mais de 59 mil focos de incêndio na Amazônia, o pior número desde 2010. O resultado disso é que a fumaça das queimadas atinge cidades de dez estados.
Imagens obtidas pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos mostram a concentração do monóxido de carbono sobre uma faixa que se estende do Norte do Brasil até as regiões Sul e Sudeste, passando sobre o Peru, Bolívia e Paraguai. Na última semana, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez um alerta sobre os cuidados necessários para a saúde nesses casos.
De acordo com o MMA, a organização dessas frentes, que deve ocorrer ao longo das próximas semanas, será conduzida pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional Nacional (Ciman), cuja competência é buscar soluções conjuntas para o combate aos incêndios florestais.
Fonte: MS Todo Dia com Agência MS
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